Depois da revelação de que Jesus é o Messias esperado por Israel, os discípulos são exortados a não divulgarem essa informação, pois ainda não era a hora de ele ser manifestado como o Messias vitorioso. Antes de vir como o Rei de reis e Senhor de senhores Jesus precisa passar pela morte de cruz, e é da cruz que ele fala no versículo 23, porém agora se referindo aos seus seguidores: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lc 9:23).

As pessoas costumam dizer que têm uma cruz para carregar, referindo-se a uma doença, sofrimento ou problema. A expressão tem sua origem nesta passagem, mas a rigor não é o que Jesus está querendo dizer aqui. Ele não está falando de cruz no sentido de algum problema que nos aflige e ao qual devemos nos conformar. Ele está falando de morte. Tomar a cruz é considerar-se morto, por dentro e por fora. Na época, quem visse alguém carregando uma cruz minutos antes da execução podia dizer sem medo de errar: “Esse aí já está morto”.

É assim que o cristão deveria se apresentar: como alguém que diariamente expõe sua condição de morto para este mundo, e é este o significado de tomar diariamente a sua cruz. Há, porém, outro aspecto além dessa expressão exterior de morte. A mesma passagem diz “negue-se a si mesmo”, e isto nos fala da negação interior, do reconhecimento de que o meu “eu” está morto e já não dou ouvidos para ele. O assunto é tratado com mais detalhes em cinco passagens que falam da cruz na carta aos Gálatas.

Em Gálatas 3:1 é dito que “Jesus Cristo foi exposto como crucificado”, e é este o ponto de partida da nova vida do cristão. Na cruz Jesus levou sobre si os meus pecados e foi julgado por Deus em meu lugar para que eu não venha a passar pelo juízo e ser condenado no final. Se você não tem a certeza de que na cruz Jesus levou os seus pecados é porque ainda não creu nele como seu Salvador. Você continua achando que não é tão pecador quanto fulano ou sicrano, e acredita que no dia do juízo Deus irá ponderar o bem e o mal que você praticou para decidir seu destino eterno. Você ainda não entendeu para quê Cristo morreu.

A morte de Jesus nos remete aos sacrifícios do Antigo Testamento, quando uma vítima inocente, como uma ovelha, era morta em lugar do pecador. O inocente substituía o culpado no juízo de morte. Por que você acha que a Bíblia chama Jesus de “Cordeiro de Deus”? Ele é a vítima definitiva. Enquanto os sacrifícios do Antigo Testamento só relembravam o pecado, o sacrifício de Cristo efetivamente anulou os pecados daqueles que creem nele.

No próximo post continuaremos com o apóstolo Paulo falando de outros aspectos da cruz.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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