Jesus ordena ao leproso que acabara de curar: “Não conte isso a ninguém”. Por que pedir que ele não divulgue a cura? Para não atrair multidões interessadas em milagres. As curas e sinais que Jesus faz nos evangelhos servem para revelar suas credenciais de Messias, mas não são elas a razão de sua vinda ao mundo. O mundo não precisava de um curandeiro, o mundo precisava de um Salvador.

A Lei dada por Moisés não podia curar o leproso, mas Deus sim. Por isso neste capítulo 5 do Evangelho de Lucas nós veremos Jesus, não apenas curando, mas também perdoando os pecados de um paralítico. É de Jesus que o Salmo 103 diz: “É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura e o coroa de bondade e compaixão, que enche de bens a sua existência”(Sl 103:3-5). A promessa era primeiramente para Israel.

Jesus aconselha o homem curado de lepra: “Vá mostrarse ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho”. A Lei não podia curar, mas instruía como proceder em caso de lepra, e Jesus, Deus e Homem, cura e também respeita a Lei. Por isso ordena que o homem curado apresente-se ao sacerdote e ofereça sacrifícios segundo a Lei.

Nada disso faria sentido hoje. Não temos um Templo, não temos sacerdotes descendentes de Aarão, e não viajamos a Jerusalém para sacrificar animais. Já deu para perceber que o que vemos nos evangelhos ainda está num contexto de judaísmo? Porém, Paulo, em sua carta aos Romanos, apresenta o evangelho da graça de Deus: “Vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).

Jesus foi rejeitado por Israel e entregou sua vida como sacrifício pelo pecado, nos resgatando da maldição da Lei e inaugurando uma nova maneira de Deus se relacionar com o homem. Nos Evangelhos ainda temos os rituais e ordenanças, porém a ordem agora é: “Saiamos até ele [Jesus], fora do acampamento [ou sistema judaico], suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir. Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome”(Hb 13:13-15).

Os sacrifícios que o cristão oferece a Deus não tem qualquer ligação com a adoração exterior encontrada no Antigo Testamento. Infelizmente muitos cristãos não entendem isso e tentam emprestar do judaísmo elementos que nada têm a ver com cristianismo. Quais? Templos, altares, cleros, sacerdotes, ordenação de líderes, vestes cerimoniais, corais, instrumentos musicais, levitas, dízimos, sábados, orações decoradas, adorações ensaiadas, feriados religiosos… a lista é imensa. Será que você adora a Deus em um lugar com todas essas coisas?

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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