Hoje há tantos evangélicos pregando prosperidade que quase nos esquecemos de que nos anos 70 e 80 a moda entre católicos era a “Teologia da Libertação”. Ao contrário da “Teologia da Prosperidade”, que tenta aplicar à Igreja as promessas feitas a Israel ao afirmar que todo cristão deve ser rico, a chamada “opção pelos pobres” foi adotada por revolucionários para dar um tom religioso ao marxismo e à luta de classes.

Nenhuma delas tem fundamento bíblico, pois o objetivo do cristão neste mundo não é ser pobre ou rico, e nem colocar pobres contra ricos ou se achar capaz de erradicar a pobreza. É claro que a Palavra de Deus sempre exortou “que nos lembrássemos dos pobres” (Gl 2:10), mas Jesus deixou claro que “os pobres vocês sempre terão consigo” (Jo 12:8), mostrando que este problema não será resolvido até que ele venha para reinar.

É tão errado um rico gloriar-se em sua riqueza, quanto um pobre em sua pobreza. No corpo de Cristo existem mais pobres que ricos, mais iletrados que sábios, mais fracos que poderosos, mas “quem se gloriar, glorie-se no Senhor” (1 Co 1:26-31). Deus permite as diferentes condições para usar os seus de diferentes maneiras.

Cristianismo não é comunismo. Os pobres não devem acreditar nas palavras dos pregadores da prosperidade, achando que se fossem ricos seriam felizes, e os ricos não devem confiar nas riquezas, mas estarem prontos a ajudar “especialmente aos da família da fé” (Gl 6:10), ou seja, dando prioridade aos seus irmãos em Cristo.

Se alguns discípulos, pobres e humildes, não tinham acesso ao governador Pilatos para requerer o corpo de Jesus, Deus usou dois discípulos ricos e influentes para esta tarefa. “José, membro do Conselho, homem bom e justo… de Arimateia… “dirigindo-se a Pilatos, pediu o corpo de Jesus”, e “Nicodemos levou cerca de trinta e quatro quilos de uma mistura de mirra e aloés” para preparar o corpo para o sepultamento no sepulcro novo doado por José de Arimateia. (Lc 23:50-56; Jo 19:38-42).

Entre o povo de Deus há pessoas de diferentes classes sociais, mas todos devem aprender a se contentar com o que possuem, seja riqueza ou pobreza, à semelhança do apóstolo Paulo, que disse: “Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:11-13).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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