Jesus perdoou os pecados de um paralítico e depois o curou. A multidão se maravilhou com o milagre visível da cura, mas o milagre invisível do perdão dos pecados e da salvação daquele homem só gerou indignação entre os religiosos. Afinal, só Deus pode perdoar pecados.

Mateus, o autor do evangelho, é um pecador. Ele sabe disso, tem convicção. Afinal, ser um publicano ou coletor de impostos em seus dias significa ter uma das profissões mais odiadas. Publicanos são conhecidos por cobrarem impostos injustos, se aproveitarem do cargo para o enriquecimento ilícito e são também considerados traidores: trabalham para o inimigo, o invasor romano.

Jesus vê Mateus na coletoria, o chama, e Mateus deixa tudo para segui-lo. Muitos escutam este convite, mas poucos estão dispostos a embarcar na aventura de um relacionamento pessoal com o Filho de Deus, aquele que veio chamar pecadores e tem autoridade e poder para perdoar pecados.

Mateus prepara um banquete para Jesus em sua casa e convida seus amigos, obviamente publicanos como ele e outros de reputação duvidosa. “Por que o mestre de vocês come com publicanos e ‘pecadores’?” (Mt 9:11), perguntam os religiosos judeus aos discípulos. Para os religiosos, que não se misturavam com gente daquela espécie, algo assim é inconcebível.

“Não são os que têm saúde que precisam de médico”— é o que eles escutam Jesus dizer — “Eu não vim chamar justos, mas pecadores”(Mt 9:12-13). A mensagem é clara. Muitos tipos de câncer tem cura quando diagnosticados a tempo, mas para quem ignora a doença, não tem cura. O mesmo acontece com o pecado.

Jesus tem mais a dizer àqueles religiosos que se consideram melhores do que os outros por viverem segundo os preceitos de sua religião: “Desejo misericórdia, não sacrifícios”(Mt 9:13), diz ele. E Deus só pode exercer sua misericórdia, que é infinita, quando encontra um pecador convicto.

Assim como fez com Mateus, Jesus chama por aquele que sabe que não tem um átomo sequer de bondade para oferecer a Deus em troca do perdão de seus pecados. Alguém que sabe que nenhum sacrifício vindo de si mesmo poderá salvá-lo, pois o único sacrifício eficaz Deus já providenciou: a morte de seu Filho na cruz para pagar pelos nossos pecados.

Aqueles religiosos fariseus jamais iriam entender a misericórdia e a graça de Deus enquanto considerassem que a salvação era por mérito, pela guarda da lei, de preceitos e de mandamentos. Tentar misturar as coisas seria como fazer remendo de pano novo em vestido velho.

Por Mario Persona

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