Eu sempre tive a imagem do apóstolo João como de um jovem dócil, afetuoso e amigo. Mas a Palavra de Deus é certeira em revelar que por baixo da aparência existe aquela odiosa natureza que Deus precisou condenar na cruz: a carne. E aqui a carne aparece em um de seus aspectos mais perniciosos, a aparência de piedade, mesmo que com a melhor das intenções.

Um pouco antes os discípulos discutiam qual deles seria o maior, numa clara manifestação de egoísmo individual. Jesus lhes dá uma lição tomando um menino e dizendo: “Aquele que entre vocês for o menor, este será o maior” (Lc 9:48). Agora João vem contar que eles proibiram um homem de expulsar demônios em nome de Jesus por não andar com eles. Este é o egoísmo coletivo.

Estes mesmos discípulos não conseguiram expulsar o demônio que afligia um menino, por lhes faltar duas coisas: a oração, que demonstra dependência de Deus, e o jejum, que é abrir mão de satisfazer os próprios desejos, apetites e necessidades. Mas ao encontrarem alguém que parece ter estas qualidades, o ciúme e o orgulho espiritual os levam a proibir o homem de usar o nome de Jesus. A desculpa de João é: “porque não te segue conosco” (Mt 9:44).

Estariam eles preocupados com Jesus? Não, eles estavam preocupados consigo mesmos. A ênfase está no “conosco” e a resposta de Jesus revela seus corações: “Não o impeçam, pois quem não é contra vocês, é a favor de vocês” (Lc 9:49). As versões da Bíblia que neste evangelho trazem “quem não é contra nós, é por nós” diminuem a força que a resposta de Jesus tem aqui.

O orgulho os deixou tão míopes que não se alegram com o fato de alguém seguir a Jesus, mas exigem que siga “com eles”. Eles se acham o meio pelo qual as pessoas devem seguir a Jesus, o que não é diferente de qualquer religião cristã que se considere a única forma de um cristão ter comunhão com Deus. Porém o nome de Jesus não é exclusividade de algum grupo de cristãos. A Bíblia não diz quem era aquele homem, e nem Jesus os encoraja a juntarem-se a ele, mas também não lhes dá autoridade para se intrometerem no que outros fazem em seu nome.

Então o que fazer quando vejo o nome de Jesus usado de maneira errada por tantas igrejas e religiões? Posso alertar as pessoas contra o erro, como os apóstolos fazem em suas epístolas. Mas não devo ir a lugares onde o nome de Jesus é usado de maneira errada para impedir as pessoas ali de continuarem com suas práticas. Veja o que o apóstolo Paulo diz dos que pregavam a Cristo indevidamente: “O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro” (Fp 1:18).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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