Tente imaginar a cena: a carruagem do poderoso comandante do exército do rei da Síria, com seus servos e uma escolta de soldados parados em frente à casa do profeta Eliseu. Agora pense na frustração de Naamã ao perceber que não é Eliseu quem sai da casa, mas apenas um mensageiro com a receita para sua doença!

O garoto de recados transmite a mensagem do profeta: “Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão; sua pele será restaurada e você ficará purificado” (2 Rs 5:10). Naamã fica indignado. Ele estava certo de que o próprio profeta viria ao seu encontro e invocaria o nome de Deus, imporia a mão sobre o lugar de suas feridas e o curaria da lepra. Além disso, que benefício havia em banhar-se no Jordão quando em Damasco havia os rios Abana e Farfar, bem maiores e importantes!

Hoje muitos cristãos são como Naamã. Acreditam que Deus só pode agir se existir algum tipo de pirotecnia, como música alta, pregadores berrando ao microfone e rios de dinheiro fluindo. Não se contentam com a Palavra de Deus e ficam impressionados quando um pregador se diz capaz de fazer descer fogo dos céus, de tão poderoso que se considera.

Pregadores que se gabam de tal proeza não percebem que esta será uma das habilidades do anticristo, o qual realizará “grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens”(Ap 13:13). E se esquecem de que o Senhor Jesus repreendeu seus discípulos pela mesma exibição de prepotência, ao lhes dizer: “Vocês não sabem de que espécie de espírito são pois, o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”(Lc 9:55).

Mas esses mesmos pregadores sabem que seus seguidores não se contentam com a simplicidade do evangelho; ficam frustrados se não virem dramatização, testemunhos forjados e demonstração de poder medida em decibéis. Então eles procuram apresentar aquilo que seus seguidores querem enxergar neles: um bufão arrogante, prepotente e mestre em exibicionismo.

Naamã queria encontrar alguém assim, daí sua frustração. Mas seus servos são mais sábios que ele e lhe dizem: “Se o profeta lhe tivesse pedido alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais, quando ele apenas lhe diz para que se lave e seja purificado!”(2 Rs 5:13). Naamã se rende ao conselho dos servos, mergulha sete vezes no Jordão e sai curado de sua lepra.

Sua reação é de gratidão: ele quer dar ao profeta Eliseu um presente, mas este lhe dá a resposta que deveria estar na ponta da língua de qualquer verdadeiro servo de Deus: “Juro pelo nome do Senhor, a quem sirvo, que nada aceitarei”. Aí está uma boa forma de você identificar se aquele pregador da TV é ou não um homem de Deus. Se ele pedir ou aceitar dinheiro em troca da cura, bênção ou salvação, então não é.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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