A crucificação de Jesus é o ponto alto da história de ódio do pecador por seu Criador. Até este momento os homens pensavam estar no controle da situação, e o próprio Jesus lhes havia dito: “Esta é a hora de vocês, quando as trevas reinam” (Lc 22:53). Mas Deus, que até aqui parecia indiferente a tudo o que faziam ao seu Filho, apaga a luz. Homem algum poderia evitar que o sol do meio dia se tornasse em trevas. Aquele era também um sinal de que Deus abandonava Jesus ali para assumir os nossos pecados como se fossem seus, e pagar por todos eles. Por isso ele declara profeticamente no Salmo 69:4: “Sou forçado a devolver o que não roubei”.

Não existe vida para o homem do lado de cá da cruz e da morte. É preciso estar em Cristo, ter morrido ali com ele e ressuscitado ao terceiro dia, para receber vida nova. Na cruz Deus colocou um ponto final na raça dos filhos de Adão para iniciar uma nova criação que está além da morte, onde a verdadeira vida começa.

O Filho de Deus se fez Filho do Homem para, por sua morte, poder transformar em filhos de Deus aqueles que nasceram filhos de homens. O que tinha vida em si mesmo, veio ao mundo morrer para dar vida aos que estavam mortos em delitos e pecados. Aquele que tinha seu lar no céu desceu à terra para dar um lar no céu a nós, criaturas da terra. O único que era perfeitamente justo foi feito pecado na cruz, para que nós, que nascemos em iniquidade, fôssemos feitos justiça de Deus. O imortal se fez mortal para dar vida eterna a nós mortais. Ele que era eternamente livre se fez escravo deixando-se pregar numa cruz, a fim de libertar a nós, escravos do pecado.

Aquele que era infinitamente rico se fez pobre ao entregar seu último bem, a própria vida, para enriquecer aqueles que nem vida possuíam. Aquele que é luz desceu às trevas, para transformar em filhos da luz a nós, que éramos trevas. Aquele que estava no seio do Pai veio a esta terra distante e desceu à morte, para levar para perto de si aqueles que estavam longe de Deus.

Jesus bradou em alta voz: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’. Tendo dito isso, expirou. O centurião, vendo o que havia acontecido, louvou a Deus, dizendo: ‘Certamente este homem era justo’. E todo o povo que se havia juntado para presenciar o que estava acontecendo, ao ver isso, começou a bater no peito e a afastar-se. Mas todos os que o conheciam, inclusive as mulheres que o haviam seguido desde a Galileia, ficaram de longe, observando essas coisas” (Lc 23:44-49).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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