Anteriormente falei de um parêntese que já dura mais de 2 mil anos, o período da Igreja, que é o conjunto de todos os que creem em Jesus. A Igreja não aparece no capítulo 24 de Mateus, que trata de Israel e do mundo de um modo geral, e particularmente do remanescente de judeus que ainda irão crer em Jesus. Esse parêntese começou com a formação da Igreja no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos, quando Deus deixou de tratar com Israel e passou a tratar com o conjunto dos que se convertem a Jesus, sejam eles judeus ou gentios. Esta é a Igreja ou Corpo de Cristo.
Esse parêntese termina com um evento conhecido como Arrebatamento e descrito em 1 Tessalonicenses 4. Ali Paulo diz que “nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem”(1 Ts 4:15), isto é, aqueles que morreram na fé. Paulo se inclui entre os que ficariam até essa vinda do Senhor, pois esse evento não tem data para ocorrer. Tanto podia ter ocorrido nos dias do apóstolo, como pode ocorrer daqui a cem anos. Porém há indícios de que não vá levar cem anos.

Ainda que as profecias bíblicas tratem de Israel, e não da Igreja, pelo que escreveu o profeta Daniel e por outras passagens sabemos que a vinda de Jesus para estabelecer o seu reino deveria ocorrer sete anos após sua morte. Como o período da Igreja é um parêntese, uma inserção que teve início após a morte de Jesus, esses sete anos estão numa espécie de animação suspensa. O gatilho para o relógio profético voltar a funcionar é o arrebatamento da Igreja.
Imagine que você viaje para visitar um amigo que mora sete quilômetros antes da fronteira com a Argentina. Não há qualquer placa na estrada indicando quanto falta para chegar à casa de seu amigo, mas há placas indicando quanto falta para chegar à fronteira. O capítulo 24 de Mateus e outras profecias são as placas ou sinais que indicam quanto falta para a fronteira, para Cristo voltar em glória. Sete anos antes ocorre o arrebatamento.
A Carta aos Tessalonicenses revela que, no arrebatamento, o Senhor Jesus descerá do céu, mas sem colocar os pés na terra, como acontecerá sete anos depois quando vier para reinar. No arrebatamento ele vem só até as nuvens, e os que morreram na fé, ressuscitarão primeiro. Em seguida, os vivos que creem em Jesus terão seus corpos transformados e serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. Nada disso será visto pelos incrédulos, como aconteceu com Jesus, que foi visto por mais de 500 discípulos depois de ressuscitar, mas por nenhum incrédulo.
Duas classes de pessoas serão deixadas para trás no arrebatamento: os que ouviram o evangelho e não creram em Jesus, inclusive os que creem só da boca pra fora, e aqueles que nunca foram evangelizados. Os primeiros jamais terão outra chance, apesar de muitos continuarem frequentando seus templos e serviços religiosos. Do outro grupo, dos que nunca foram evangelizados, muitos se converterão a Jesus, liderados por um remanescente de judeus convertidos e fiéis. É a eles que Jesus dirige o seu discurso do capítulo 24 de Mateus.
Por Mario Persona
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Germano Luiz Ourique


Comentários:


  1. André disse:

    Gostaria que vocês me ajudassem a elucidar alguns fatos:
    Esse ponto de vista do artigo não seria pré-tribulacionista?
    MT 24:5 Não fala a respeito dos falsos profetas que vieram na época de Cristo e ainda vêm nos dias de hoje na “era da igreja”?
    MT 24: 6-11 Esses fatos não fizeram parte do contexto daquela época, como fazem parte do contexto dos dias de hoje na “era da igreja”?
    MT 24:21 Aqui não começa a grande tribulação?
    MT 24:24 Não trata aqui da igreja, pós tribulação?
    MT 24:31 Não é neste ponto que aconteçe o arrebatamento?
    MT 24:34 Não é neste versículo que Cristo trata de Israel, e essa geração de 70 anos não seria aquele que se formou com a criação do estado de Israel em 1945?
    MT 24:40-41 Aqui Jesus não faz uma anologia entre o dilúvio e o arrebatamento?
    MT 24:44 Hj todo os crentes esperam a volta eminente de Jesus, mas Ele não voltará quando ninguém mais estiver esperando?

  2. germano disse:

    André,
    .
    Como é dito no post, a Igreja não aparece no capítulo 24 de Mateus. Fica fácil de entender quando você se dá conta de que Jesus Cristo responde a DUAS perguntas dos discípulos:
    1) Quando serão essas coisas? As coisas que os discípulos queriam saber são as referentes ao fato de não ficar ali no Templo pedra sobre pedra porque tudo seria derrubado conforme Jesus havia dito logo antes.
    2) Que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?
    Estas são as duas perguntas que Jesus responde aos discípulos. Nada ali se refere à Igreja, que não existia ainda e só teria seu início em Atos 2, depois de Jesus Cristo haver morrido, ressuscitado e subido aos céus.
    O primeiro evento se cumpre no ano 70 quando o exército romano invadiu Jerusalém e dizimou os judeus que tentaram resistir ao cerco. Existem relatos que dizem que os soldados romanos sacrificaram porcos no Templo e depois o incendiaram. O que faz sentido, pois o Templo era revestido de ouro que derreteu entrando entre as pedras, o que fez com que os romanos destruíssem o Templo, pedra por pedra, para raspar o ouro que havia derretido.
    O segundo evento, ocorrerá após o arrebatamento, quando os judeus e as pessoas que nunca ouviram o Evangelho terão a oportunidade de serem convertidas já durante a grande tribulação de sete anos. É preciso entender que para um judeu, salvação não significava céu nem vida eterna, isso não existia para os judeus. As bençãos eram materiais: boa colheita, família grande, muitos filhos, animais, bens, fartura, etc. Como o post menciona, a Igreja é um parêntese que Deus abre no tempo permitindo que sejamos salvos pela graça, com promessas distintas daquelas que foram dadas aos judeus.
    Leia o capítulo 24 de Mateus com isso em mente e logo em seguida o capítulo 25, que traz parábolas relacionadas com o que Jesus disse.


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