Os setenta discípulos voltam alegres da missão de levar as boas novas do Reino, porém o que fez seus olhos brilharem e seus corações palpitarem foi o poder que tinham em mãos. “Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome”, dizem eles a Jesus. Mais uma vez a resposta de Jesus revela o que há em seus corações: “Eu vi Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10:17).

Jesus traz à tona o orgulho dos discípulos, o mesmo orgulho responsável pela queda do diabo. Não há nada pior do que você orgulhar-se do trabalho que Deus colocou em suas mãos, como se isso dependesse de sua força, talento ou inteligência, “Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele”, escreveu Paulo aos Filipenses (Fp 2:13).

Deus não precisa de nós, mas nos dá o privilégio de participar de sua obra. Se falharmos, ele escolherá outros para a tarefa, pois a obra é dele, por ele e para ele. É uma insensatez louvarmos aqueles que Deus usa. Deveríamos louvar a Deus por usá-los, não o contrário. E se você busca reconhecimento por seu trabalho no evangelho deveria se envergonhar por querer ficar sob o mesmo holofote com Deus. Ele diz: “Não darei a outro a minha glória” (Is 42:8).

Deus está atento para nossa vanglória e não raro providencia um freio para nosso orgulho. Foi o que fez com o apóstolo Paulo. Tamanhas eram as revelações que Deus lhe deu que, sem freio, a carne de Paulo teria se descambado a gloriar-se de seus feitos. O próprio Paulo conta em sua primeira carta aos Coríntios como Deus colocou um freio nessa sua tendência:

“Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: ‘Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas… Pois, quando sou fraco é que sou forte” (1 Co 12:7-10).

Jesus também revela a insensatez dos discípulos, deslumbrados com o poder que tiveram sobre os demônios. Como crianças facilmente impressionáveis, muitos hoje correm atrás de espetáculos de cura e libertação, coisas tipicamente terrenas, ao invés de se ocuparem com as coisas eternas. Por isso Jesus os adverte que, apesar de lhes ter dado “autoridade… sobre todo o poder do inimigo” eles deviam alegrar-se “não porque os espíritos” se submetiam a eles, mas “porque seus nomes” estavam “escritos nos céus” (Lc 10:19-20).

No próximo post a resposta de Jesus revela muito mais de Satanás.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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