Nos versículos 37 e 38 deste capítulo 12 de Lucas Jesus chama de “servos” aqueles que esperam por sua vinda iminente, mas a linguagem muda no versículo 39. Agora ele apresenta outro tipo, que chama de “dono da casa”, antes de exortar os discípulos a estarem preparados para sua vinda. Ele diz: “Entendam, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não permitiria que a sua casa fosse arrombada. Estejam também vocês preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que não o esperam” (Lc 12:39-40).

Em 1 Timóteo 3:15 Paulo chama o testemunho cristão de “casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”. Porém em 2 Timóteo 2:20 aquela casa é vista em um estado de degradação como uma “grande casa” na qual “há vasos não apenas de ouro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins honrosos, outros para fins desonrosos”. O mesmo que os líderes do judaísmo fizeram com a casa de Deus de então, os cristãos fizeram com a casa de Deus na atual dispensação. Em Lucas 19, enquanto expulsava os vendedores do Templo, Jesus dizia: “Está escrito: ‘A minha casa será casa de oração’; mas vocês fizeram dela um covil de ladrões” (Lc 19:46).

Por causa da volúpia por riquezas e poder, a imagem que o mundo tem hoje do cristianismo é muito diferente daquela encontrada nos primeiros cristãos. Neste capítulo Jesus diz que “onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração” (Lc 12:34), isto é, o tesouro é o imã que atrai o coração. Ao adotar para si as bênçãos terrenas que eram prometidas a Israel, a Igreja colocou o seu foco no acúmulo de tesouros terrenos. Não foram os pregadores do evangelho da prosperidade que inventaram isso, mas foi o comportamento adotado desde o terceiro século, quando os cristãos deixaram de ser perseguidos para se transformarem em perseguidores.

O patrimônio da cristandade é imenso, se somarmos as riquezas de suas organizações. Não é de admirar que, no último estágio do testemunho cristão no mundo, representado por “Laodicéia” em Apocalipse 3, ela se considera rica e bem suprida. Mas a opinião do Senhor é outra: “[Você] é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar” (Ap 3:17-18).

O caráter de “dono da casa”, usado pelo Senhor em sua parábola, cai muito bem para aqueles que apenas professam ser cristãos e também para a cristandade institucional. Para estes a vinda de Cristo será como a chegada inesperada de um ladrão e irá pegá-los de surpresa, causando a perda de tudo o que juntaram aqui.

No próximo post, conheça o vigilante que nunca fica ocioso.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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