Depois de mencionar aos judeus o caso da viúva de Sarepta, sustentada por Deus em vida e ressurreição, Jesus fala de outro estrangeiro, Naamã. Mas este não é pobre e faminto como a viúva. Naamã é comandante do exército do rei da Síria, nação inimiga de Israel, que em uma de suas invasões havia escravizado uma menina israelita. A menina agora trabalha para a esposa de Naamã.

A viúva de Sarepta não tinha nada, e precisou de Deus para suprir suas necessidades e resgatar seu filho da morte. Naamã tem tudo, porém é leproso. Na Bíblia a lepra aparece como figura do pecado: a doença que nos torna insensíveis ao mal, nos corrompe e nos faz impuros aos olhos de Deus. O grande Naamã depende agora da menina escrava para encontrar a cura para o seu mal. A jovem avisa: “Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra”(2 Rs 5:3).

Havia muitas jovens israelitas escravizadas pelo inimigo, mas quantas conheciam a Deus, amavam seu semelhante e estavam dispostas a salvar seus inimigos? Ninguém a censuraria se ela pensasse consigo: “Deus castigou Naamã por ter me roubado e me escravizado! Bem feito para ele!”. Mas esta menina não é assim. Ela realmente se importa e indica a solução para o mal que aflige seu senhor.

O rei dá a Naamã licença para viajar em busca da cura, e ele parte para Samaria levando uma carta do rei da Síria ao rei de Israel. Este, ao ler a carta, se desespera. “Por acaso sou Deus, capaz de conceder vida ou morte? Por que este homem me envia alguém para que eu o cure da lepra? Vejam como ele procura um motivo para se desentender comigo!”(2 Rs 5:7).

No raciocínio do rei da Síria, se havia alguém em Israel capaz de curar seu oficial, esse alguém devia ser o homem mais poderoso, o rei de Israel. Hoje as pessoas procuram a cura de suas doenças e a prosperidade material em homens que conseguiram resolver seus próprios problemas de saúde e finanças. É este o raciocínio por trás do crescente movimento evangélico da prosperidade: “Quanto mais rico e próspero o pregador, mais rico ele me fará”. Por isso esses pregadores não têm qualquer escrúpulo em ostentar riqueza. Na cabeça de seus seguidores isso é garantia de sucesso. Esses são os que rejeitariam o filho do carpinteiro.

Mas não é no rei de Israel que Naamã irá encontrar a cura e nem é dele que a menina falou. Ela se referiu ao profeta Elizeu, que fica sabendo do caso e envia uma mensagem ao rei pedindo que envie Naamã para conversar com ele. No próximo post veremos Naamã e toda a sua escolta parando à porta da humilde casa do profeta Eliseu em busca da cura de sua lepra.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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