Quando os discípulos veem que o homem rico preferiu conservar suas riquezas a seguir a Jesus, Pedro comenta: “Nós deixamos tudo o que tínhamos para seguir-te!”. O Senhor, então, responde: “Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pai ou filhos por causa do Reino de Deus deixará de receber, na presente era, muitas vezes mais, e, na era futura, a vida eterna” (Lc 18:28-30).

No fundo o que Pedro quer saber é o que ganhará por ter trocado o que tinha nesta vida para seguir a Jesus. Este raciocínio é natural ao coração humano. Se existir em nós qualquer desejo de seguir a Jesus esse desejo será egoísta e interesseiro. Uma leitura distraída da resposta de Jesus dada a Pedro pode parecer indicar que nossa disposição de deixar nossos bens para seguir o Senhor seria recompensada com a garantia de vida eterna.

Mas é preciso lembrar que Jesus tinha acabado de comentar que a salvação “é impossível para os homens”, mas “é possível para Deus” (Lc 18:27). Ou seja, nada do que fazemos irá nos garantir a vida eterna. Esta só pode ser recebida por graça, e isto fica patente desta afirmação de Jesus e de muitas outras passagens das Escrituras, como a de Efésios 2:8-10: “Vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.”.

Então o que significa a resposta de Jesus a Pedro? Que a pessoa salva pela fé em Cristo é transformada em um instrumento de Deus para “boas obras”, as quais incluem o desapego pelas coisas materiais e pelos vínculos afetivos, e até a disposição para abrir mão disso se esta for a direção recebida de Deus. Esse desapego é fruto de um coração que recebeu a salvação por graça.

Além disso, de uma certa maneira aquele que crê recebe, na vida presente, “muitas vezes mais… casa, mulher, irmãos, pai ou filhos” no sentido de encontrar nos milhares de irmãos em Cristo aquilo que talvez não tenha encontrado nos bens e parentescos desta vida. Esse mesmo desapego pelas coisas do aqui e agora faz o crente desfrutar melhor das coisas que são eternas. O que Jesus revela aos discípulos no próximo post é prova disso, ou seja, de como ele tinha vindo ao mundo, não para salvar sua própria vida, mas para entregá-la numa cruz de dor e humilhação.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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