Na dispensação da Lei a bênção era prometida na forma de prosperidade material como consequência da obediência. Por isso os homens buscavam obedecer — ou ao menos parecer que obedeciam — a fim de serem beneficiados com saúde e riquezas. Seus líderes religiosos acabaram se esquecendo de que a obediência deveria ser aos olhos de Deus, e não dos homens, e passaram a alardear seus próprios feitos ou ocupar posições de destaque segundo o que achavam de si mesmos.

No Evangelho de Mateus Jesus os critica, dizendo: “Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’ [mestres]” (Mt 23:5-7).

Filactérios eram fitas amarradas ao corpo com trechos das Escrituras. Ao alargar seus filactérios, os líderes queriam exibir um maior conhecimento delas. Deus também havia ordenado que fizessem franjas nas vestes, mas não para serem vistas por outros, e sim como um lembrete para si mesmos. “Quando vocês virem essas franjas se lembrarão de todos os mandamentos do Senhor, para que lhes obedeçam” (Nm 15:40). Na cristandade isso equivaleria aos vários títulos eclesiásticos e teológicos inventados pelos clérigos para se mostrarem superiores aos leigos.

Mas o que os leigos acham disso? Eles gostam, e o Salmo 49:18 explica essa característica do comportamento humano: “Os homens te louvam, enquanto fazes o bem a ti mesmo”. Por isso muitos seguem os pregadores de prosperidade, indiferentes às denúncias que revelam suas fortunas. Eles os seguem por desejarem a mesma prosperidade, e o raciocínio é que quanto mais próspero o líder, mais poder ele tem de tornar prósperos seus liderados. Para esses pregadores denúncias de riqueza servem de propaganda, pois atraem mais gente em busca de prosperidade material.

Ao descrever a cristandade, Paulo diz que “nos últimos dias os homens serão egoístas, avarentos [ou gananciosos], presunçosos, arrogantes…” (2 Tm 3:1-9). A lista de adjetivos continua e diz também que eles fazem como os magos de Faraó, que imitavam os sinais que Deus fazia por meio de Moisés. Qualquer semelhança com o que você vê em alguns pregadores do rádio e TV não é mera coincidência.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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