Muitos tentam aplicar a passagem que diz “Não julguem, e vocês não serão julgados” em qualquer situação. Mas isto seria contrariar o ensino das Escrituras que nos manda julgar o pecado e a má doutrina. Aqui Jesus fala em não julgar as pessoas, seus motivos e modo de ver as coisas. O contexto inclui a indagação: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco?” (Lc 6:39).

Um cego não pode guiar outro cego, mas também não há utilidade, espiritualmente falando, em alguém que vê guiar um cego. O primeiro acabará se exaltando de sua capacidade de visão e o segundo irá sempre depender do outro para achar o caminho. Os fariseus, sim, eram cegos guiando outros cegos, e só no evangelho de Mateus eles são chamados assim por cinco vezes.

Os sacerdotes do Antigo Testamento só podiam julgar as coisas pelas aparências, mas o cristão está aparelhado para julgar do ponto de vista espiritual. Todo aquele que creu em Cristo foi selado com o Espírito Santo da promessa, pois “se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo” (Rm 8:9). Assim, o cristão genuíno tem vista e percepção espiritual. O que foi tocado por Jesus pode dizer: “Eu era cego e agora vejo” (Jo 9:25).

Obviamente alguns teólogos e líderes religiosos odeiam ouvir isso. Tal ideia os coloca no mesmo nível de um analfabeto salvo por Cristo, já que ambos desfrutam de uma mesma percepção espiritual, qualidade que não depende de capacidade intelectual, mas do Espírito de Deus. Porém os crentes não têm todos os mesmos dons, a mesma comunhão e um idêntico crescimento no conhecimento de Deus. Por isso aquele que recebeu de Deus um dom poderá ajudar seu irmão em um momento, e ser ajudado por ele em outro. Mas nenhum dos dois é cego: ambos têm a vista e o senso de orientação que vêm da nova vida em Cristo.

Mas, voltando à questão do julgar, não devemos julgar as pessoas e seus motivos, mas devemos julgar os pecados ou as doutrinas que as contaminam, tendo como padrão a Palavra de Deus. Julgar a coisa que contamina sem julgar a pessoa contaminada é mais ou menos como falar mal do cigarro por amor ao fumante. Alguém que tenha o Espírito de Deus, e está assim dotado de visão espiritual, certamente se deixará guiar por um irmão que enxergue nele alguma falta apontada na Palavra de Deus, e entenderá que o outro faz isso por amor.

Mas, para explicar o perdão condicional que aparece neste versículo 37 de Lucas 6 vamos precisar de mais um post. No próximo…

Por Mario Persona

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Comentários:


  1. Estélio Freitas disse:

    No inicio da minha vida cristã, confesso que não entendi o que tinha recebido da parte de Deus. Pois em muitas coisas continuava cego espiritual. Hoje compreendo que uma grande maioria, continua assim, sem conversão genuína, pois não sabem o que receberam, assim como eu. Hoje graças a Deus tenho certeza que verdadeiramente recebi o perdão por meio do Senhor Jesus Cristo. Com a ajuda de um discipulado que participo, dado pelo um irmão abençoado em Cristo, foi que veio cair as escamas que impedia de enxergar a o Evangelho da Graça. João 8:32 foi o primeiro versículo que Cristo me deu, mas o interessante que só depois de alguns meses, um novo versículo desse mesmo capítulo se abrir. Em João 8:36 veio a grande revelação. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livre. Isso é foi/é maravilhoso, não há nada que pague esse preço da libertação em Jesus Cristo. Não estamos mais debaixo da servidão do pecado, nem da doutrinas da “igreja” e nem dos preceitos humanos. Estamos debaixo da Graça Divina, do amor daquEle que morreu por mim e por todos. Só servo do Deus Altíssimo na pessoa Bendita do Senhor Jesus, amém.


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