Chega ao fim aquela atmosfera celestial que os discípulos respiravam durante a transfiguração de Jesus no monte. Agora eles descem para o nível deste mundo e se veem diante da multidão carregada das terríveis marcas que o pecado deixou na Criação. Um homem se aproxima de Jesus e descreve a triste condição de seu filho único: ele é possuído por um espírito maligno que está destruindo sua vida.

O pai aflito explica a Jesus que havia pedido aos discípulos que expulsassem o espírito maligno de seu filho, mas nenhum deles foi capaz de fazê-lo. “Ó geração incrédula e perversa”, diz Jesus, “até quando estarei com vocês e terei de suportá-los?” (Lc 9:41). Ele não diz “Ó demônios, até quando terei de suportá-los?”, mas provavelmente esteja falando dos discípulos ou mesmo de toda a humanidade.

Primeiro, porque todo ser humano é, por natureza, incrédulo. Segundo, porque os homens pervertem as coisas de Deus ao seu bel prazer. Assim somos todos “geração incrédula e perversa”. Quando você não crê no poder de Deus, passa a confiar em seus próprios recursos. Isto é incredulidade. E se você perverte ou distorce as coisas de Deus para atender seus próprios interesses você é perverso.

O evangelho de Mateus 17:21 acrescenta que “esta espécie [de demônio] só sai pela oração e pelo jejum”. Estes são os antídotos contra a incredulidade e a perversão. É pela oração que você demonstra sua dependência de Deus, e não de si mesmo, e o jejum significa abrir mão de seus apetites e interesses pessoais. Deus nos quer cem por cento dependentes dele e famintos de nossa vontade própria, para sermos saciados da vontade dele.

“Quando o menino vinha vindo, o demônio o lançou por terra, em convulsão. Mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou de volta a seu pai” (Lc 9:42). O Evangelho de Marcos acrescenta que o menino caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca. Diz ainda que “quando Jesus viu que a multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: ‘Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele’. O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu” (Mc 9:20-26).

Como a multidão se ajuntava e havia o risco de o demônio se transformar na atração principal ali, Jesus rapidamente resolve o problema. Hoje é comum encontrar grupos de cristãos mais ocupados com demônios do que com a adoração a Deus. E o modo do demônio agir denota muito bem que o seu desejo era o de chamar atenção, fazendo o menino rolar pelo chão e espumar pela boca. Não é muito diferente do modo como às vezes deixamos nossos filhos agirem, ou nós mesmos agimos, e nem é preciso estarmos possessos de demônios para isso: basta deixarmos nossa carne tomar as rédeas de nossa vida.

E se você quer ver do que a carne é capaz, veja no próximo post.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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