No último post, vimos o que o ladrão convertido na cruz pediu e recebeu. Você reparou que ele pediu uma coisa e recebeu outra? Assim é a maneira de Deus, porque nem sempre sabemos ou entendemos o que pedimos. O ladrão arrependido reconheceu que Jesus era o Rei esperado para governar Israel. Reconheceu também que, apesar de tudo, o seu reino seria de algum modo estabelecido. Tudo o que ele pediu foi ser lembrado por Jesus quando este entrasse em seu reino. Só isso. Não ser esquecido.

Ele certamente não esperava pela resposta de Jesus, que não falou do reino, mas do Paraíso. Não em alguma data futura e indeterminada, mas no menor espaço de tempo possível, e ainda com uma garantia: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23:42-43). Em 2 Coríntios 12:2-4 Paulo identifica o Paraíso como o terceiro céu e Apocalipse 2:7 revela ser a presença de Deus. Mas como poderia Jesus ir ao Paraíso naquele mesmo dia se dizem que ele desceria ao inferno?

A confusão é gerada por uma tradução pouco precisa do Salmo 16:10, citado também em Atos 2:27: “Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção”. Outras versões dizem “não deixarás a minha alma na morte”, outras, “na região dos mortos” ou “no sepulcro”. A palavra grega é “hades”, que não significa um lugar, mas uma condição.

Naquele dia o ladrão e Jesus estariam ao mesmo tempo no “hades” e “no Paraíso”, isto é, na condição de terem a alma e o espírito separados do corpo, porém no lugar chamado Paraíso. Então quando é que Jesus teria descido ao inferno? Nunca. A palavra “inferno” não existe na Bíblia. Ela foi usada por tradutores no lugar de palavras com diferentes significados, como “hades”, que é a condição de morte, e “geena”, que é o “lago de fogo”, o destino final dos perdidos. O lago de fogo ainda está vazio. Todos os que morreram estão no hades, isto é, na condição de morte, mas alguns já estão salvos, com Cristo, e outros perdidos e impossibilitados de passarem para o lado dos salvos.

Um dia todos deixarão o hades — ou a condição de morte física — para receberem seus corpos: uns para estarem com Deus em corpo, alma e espírito, outros para serem lançados no lago de fogo. Em ambos os casos, eternamente.

Mas se Jesus subiu naquele dia ao Paraíso, quando ele teria pregado aos condenados que estão no hades, como Pedro diz em sua carta? Há muitos séculos, antes do Dilúvio, como veremos no próximo post.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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