Agora é a vez de Jesus perguntar aos religiosos judeus: “Como dizem que o Cristo é Filho de Davi? O próprio Davi afirma no Livro dos Salmos: ‘O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos como estrado para os teus pés’. Portanto Davi o chama ‘Senhor’. Então, como é que ele pode ser seu filho?” (Lc 20:41-44). Até aqui os judeus estavam preocupados com os relacionamentos pós-ressurreição, mas Jesus eleva a conversa a um outro nível. Ele fala da natureza eterna do Messias que, apesar de descendente de Davi, existia antes dele e era seu superior. Só alguém que fosse Deus e Homem poderia ser tanto Senhor de Davi quanto seu descendente.

Crer em Cristo implica crer que ele é Deus e Homem; reconhecê-lo como o Criador de todas as coisas e honrar o Filho de Deus com a mesma honra devida ao Pai. “Para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou” (Jo 5:23). Muitos que se dizem cristãos negam a divindade de Cristo e acham que considerá-lo um grande homem ou um espírito elevado seja honrá-lo. Mas por que tantos resistem em admitir sua divindade? Porque somos condicionados a admirar os heróis.

Herói é quem se distingue por sua coragem, habilidade e poder; que é admirado por sua bravura, altruísmo e nobreza de caráter. Herói é nosso modelo ideal — é o mocinho dos filmes, o campeão dos esportes, o bilionário dos negócios que, por seu próprio mérito, conquistou o status de um semideus. Ou seja, herói é alguém que não somos, mas gostaríamos de ser e adotamos como modelo para um dia chegarmos lá.

Todavia, ao reconhecer que Jesus é Deus você vê aniquilada toda a vaidade de tentar ser como ele é por meio de seus esforços. Você é obrigado a admitir que não passa de um pecador e que “Jesus” significa “Jeová Salvador”, o “Deus conosco” (Mt 1:23). Então você deixa de olhar para ele com a admiração de um fã e passa a buscá-lo como um pecador perdido que necessita, não de um herói para servir de exemplo, mas de um Salvador.

Você descobre que ele não subiu ao pódio dos heróis, mas que, “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Fp 2:6-8).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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