Após a ceia Jesus dirige-se com seus discípulos a um jardim, mas o nome do lugar não tem nada de aprazível. Getsêmani significa “prensa de azeite”e ali Jesus é esmagado pela agonia de pensar o que o espera na cruz. Enquanto isso, os discípulos dormem, alheios à gravidade da situação.

Não eram as chibatadas dos soldados, a coroa de espinhos ou os pregos, que enchiam de pavor o coração de Jesus. Muita gente sofreu torturas maiores e por mais tempo do que ele. Sua apreensão estava no que vinha depois da violência infligida por homens. Ele agonizava só de pensar no castigo que receberia de Deus, quando fosse feito pecado em nosso lugar.

Setecentos anos antes Isaías previu o real motivo da cruz: “Ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” (Is 53:5). Jesus, perfeito Deus e perfeito homem, que nunca pecou e nem poderia pecar por não ter a mesma natureza pecaminosa que herdamos de Adão, seria feito pecado na cruz.

Não dá para imaginar o quanto ele sofreu na cruz sob o castigo divino, pois se existisse uma fórmula para calcular isso ela incluiria a soma do castigo eterno de todos os que foram salvos por ele. Uma eternidade de juízo condensada em três horas. Não foi no Getsêmani que ele sofreu por nossos pecados, e nem nas primeiras horas na cruz. O momento em que Deus voltou a sua face e abandonou Jesus na cruz foi naquelas três horas de trevas que cobriram toda a terra.

Pensando nisso, por três vezes no Getsêmani Jesus faz uma mesma oração: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”(Mt 26:39). Alguns podem achar que Jesus estivesse vacilando ou na dúvida se devia seguir adiante. Porém uma frase no Evangelho de João elimina qualquer dúvida quanto à sua disposição de cumprir sua missão. Ele disse: “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai, glorifica o teu nome!” (Jo 12:27-28).

Eu creio que naquela tríplice pergunta, “Se possível, afasta de mim este cálice”, há um recado para nós, principalmente na resposta do Pai. Sim, a resposta do Pai foi um silêncio que até hoje ecoa pelo Universo, deixando claro que não era possível afastar dele aquele cálice. Jesus teria que bebê-lo até o fim para resolver de uma vez para sempre a questão do pecado e existir salvação para nós. Se fizermos hoje uma pergunta parecida, do tipo “Pai, se possível, salva-me de outra forma que não seja pela morte de Jesus na cruz”, a resposta será o mesmo silêncio. Não, não é possível.

Por Mario Persona

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