Se no capítulo 11 de Lucas vimos a resistência dos judeus, acusando Jesus de estar possesso e exigindo dele um sinal, agora vemos uma forma sutil de oposição. Trata-se de uma mulher que parece estar dando todo apoio a Jesus, mas na verdade desvia a atenção das pessoas para as coisas naturais. Ela exclama em meio à multidão: “Feliz é a mulher que te deu à luz e te amamentou”. A intenção dela é boa, mas ao dizer isto ela não exalta a Cristo, e sim a Maria, sua mãe.

Jesus não se opõe ao que ela diz, pois Deus escolheu Maria para o Espírito Santo conceber nela o Salvador do mundo. Mas ele faz uma correção: “Antes, felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e lhe obedecem” (Lc 11:28). O nascimento natural é obra de Deus, mas a velha criação iniciada em Adão foi encerrada na cruz. O homem natural morreu ali para que Deus trouxesse à tona uma nova criação, da qual Jesus ressuscitado é “as primícias”, ou primeiros frutos. A ruína causada pelo pecado arrastou o homem para a morte e o juízo, exigindo de Deus uma operação de resgate que custou a vida de Jesus. Por isso Pedro escreve: “Não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que vocês foram resgatados da sua vã maneira de viver que por tradição receberam de seus pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado… E por ele vocês creem em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, para que a fé e esperança de vocês estivessem em Deus… sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pe 1:18-25).

Por isso Jesus diz “antes, felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus”. Por melhor que seja o nascimento natural, ele nem se compara ao novo nascimento daqueles que são gerados pela Palavra de Deus. O Evangelho de João diz que “o que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3:6). Se você ainda não nasceu do Espírito é porque a Palavra de Deus ainda não gerou vida em você. Mas se já tiver nascido de Deus, estará apto a entender a Palavra de Deus e terá discernimento espiritual para glorificar a Deus, e não ao homem.

Este discernimento é ainda mais necessário quando a cristandade atingiu a estatura da grande árvore da parábola da semente de mostarda, em cujos galhos estão aninhadas muitas aves, os mesmos agentes de Satanás que na parábola do Semeador arrebatavam a semente. Hoje muitos são enganados por homens com aparência de piedade, porém que glorificam a si mesmos, a outros homens e as coisas naturais, ao invés de glorificarem a Deus. Para não ser enganado, faça sempre a pergunta: “Isto traz glória a Deus ou ao homem?”.

No próximo post Jesus chama de maligna ou perversa a geração que pede um sinal.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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