Uma postagem no Facebook gerou mais de mil comentários a respeito desse assunto e no intuito de esclarecer, à luz da Palavra de Deus, qual a ordem de Deus para os cristãos no que se refere a esse assunto é que fizemos este post. Respondemos aqui três perguntas feitas em um comentário do Wellington Silva lá no Facebook.

São três as perguntas:

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Primeira pergunta: Por que Paulo faz questão de mencionar que quem fala em outro idioma com Deus está recebendo um dom? Isso que não entendo.

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Resposta: Em momento algum Paulo mencionou que quem fala em outro idioma com Deus está “recebendo” um dom. O que Paulo disse e você mesmo escreveu ali foi que “o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”.

Ou seja, quem fala em hebraico em um lugar onde ninguém fala esse idioma e, neste caso, se a pessoa que fala hebraico, mesmo sabendo falar o idioma (pelo poder do Espírito Santo) não entende o que fala, só Deus entende o que essa pessoa fala. Foi exatamente isso que Paulo falou.

Por exemplo:

“קח למשל את מה שאני אומר, ואת הלורד לתת לך הבנה בכל הדברים.” השני טימותי 2: 7

Você não entendeu, eu não entendi e nem ninguém entendeu, a não ser que haja alguém fluente em hebraico que leu entendeu. É isso.

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Segunda pergunta: Qual é (ou qual era) a necessidade de orar a Deus em outro idioma?

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A resposta para essa pergunta está nos versículos seguintes deste mesmo capítulo:

“Irmãos, NÃO SEJAIS MENINOS NO ENTENDIMENTO, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento. Está escrito na lei: Por GENTE DE OUTRAS LÍNGUAS, E POR OUTROS LÁBIOS, FALAREI A ESTE POVO; E AINDA ASSIM ME NÃO OUVIRÃO, diz o Senhor. De sorte que as LÍNGUAS SÃO UM SINAL, NÃO PARA OS FIÉIS, MAS PARA OS INFIÉIS; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.” (I Corintios 14:20-22)

Ou seja, a necessidade de orar e profetizar em outro idioma era para que gente de outras línguas pudesse ouvir e compreender tudo o que era dito na sua língua materna assim como aconteceu no Pentecostes:

“E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar NOUTRAS LÍNGUAS, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, DE TODAS AS NAÇÕES que estão debaixo do céu.

E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque CADA UM OS OUVIA FALAR NA SUA PRÓPRIA LÍNGUA. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, NA NOSSA PRÓPRIA LÍNGUA EM QUE SOMOS NASCIDOS?

Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido EM NOSSAS PRÓPRIAS LÍNGUAS falar das grandezas de Deus.” (Atos 2:4-11)

Essa era a finalidade e necessidade de alguém, pelo poder do Espírito Santo, passar de um momento para o outro, milagrosamente, a falar em línguas estrangeiras.

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Terceira pergunta: Por que Paulo, mesmo depois do dia de pentecostes, ainda fala neste assunto à igreja de Corinto?

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Resposta: Por causa dos problemas que ocorriam na Igreja em Corinto no tocante ao uso dos dons espirituais. A primeira carta aos coríntios que está na Bíblia na verdade é uma segunda carta porque Paulo já havia escrito outra carta anteriormente:

“JÁ POR CARTA VOS TENHO ESCRITO, que não vos associeis com os que se prostituem;” (I Corintios 5:9 )

E nesta primeira carta Paulo já os exortava para que os irmãos da Igreja em corinto não se associassem com os que se prostituíam.

O mau uso do dom de línguas era mais um dos tantos problemas que haviam em Corinto:

A Igreja tinha divisões entre os irmãos:

“Porque ainda sois carnais; pois, HAVENDO ENTRE VÓS INVEJA, CONTENDAS E DISSENSÕES, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? PORQUE, DIZENDO UM: EU SOU DE PAULO; E OUTRO: EU DE APOLO; PORVENTURA NÃO SOIS CARNAIS? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o SENHOR deu a cada um?” (I Corintios 3:3-5)

Tinha problemas doutrinários:

Um grupo não aceitava a ressurreição dos mortos:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, COMO DIZEM ALGUNS DENTRE VÓS QUE NÃO HÁ RESSURREIÇÃO DE MORTOS?” (I Corintios 15:12)

Havia problemas com a doutrina da liberdade cristã:

“COMEI DE TUDO QUANTO SE VENDE NO AÇOUGUE, sem perguntar nada, por causa da consciência. Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude. E, SE ALGUM DOS INFIÉIS VOS CONVIDAR, E QUISERDES IR, COMEI DE TUDO O QUE SE PUSER DIANTE DE VÓS, sem nada perguntar, por causa da consciência.” (I Corintios 10:25-27)

Havia problemas com relação às questões do casamento: Todo o Capítulo 7 é sobre isso.

Havia problemas morais, um irmão processava o outro nos tribunais da cidade:

“Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, IR A JUÍZO PERANTE OS INJUSTOS, E NÃO PERANTE OS SANTOS? Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?” (I Corintios 6:1-2)

E havia, entre ainda outros problemas que a carta relata na Igreja em Corinto, o mau uso dos dons, entre eles o dom de falar línguas estrangeiras.

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As pessoas estavam usando os dons erradamente:

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.” (I Corintios 12:1)

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Os dons tinham (e tem ainda hoje) uma finalidade específica:

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, PARA O QUE FOR ÚTIL.” (I Corintios 12:7)

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Paulo os exorta a procurar COM ZELO os melhores (mais ÚTEIS) dons:

“Portanto, procurai COM ZELO OS MELHORES DONS; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.” I Corintios 12:31

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Paulo diz então como devem proceder no caso do uso do dom de línguas:

“E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso POR DOIS, OU QUANDO MUITO TRÊS, E POR SUA VEZ, E HAJA INTÉRPRETE. Mas, se NÃO HOUVER INTÉRPRETE, ESTEJA CALADO NA IGREJA, e fale consigo mesmo, e com Deus.” (I Corintios 14:27-28)

Ou seja:

– Dois, no MÁXIMO três

– Um de CADA VEZ.

– SOMENTE SE HOUVESSE INTÉRPRETE.

– Caso contrário, que ficasse CALADO.

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Paulo critica os que oram em língua desconhecida (outro idioma) sem que haja UTILIDADE e diz que devemos ENTENDER o que está sendo dito:

“Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o MEU ENTENDIMENTO FICA SEM FRUTO. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também ORAREI COM O ENTENDIMENTO; cantarei com o espírito, mas também CANTAREI COM O ENTENDIMENTO. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que NÃO SABE O QUE DIZES?” (I Corintios 14:14-16)

Ou seja, se a pessoa orasse (ou falasse) em língua desconhecida, ninguém entenderia e não saberiam nem o momento final para dizer: Amém!

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Portanto, Paulo falava sobre isso à Igreja em Corinto justamente para disciplinar os irmãos da Igreja em Corinto quanto ao mau uso dos dons e desvios doutrinários que ocorriam JÁ NAQUELA ÉPOCA.

Quanto ao que vemos hoje por aí, esse fenômeno onde pessoas do nada começam a falar línguas estranhas, isso se chama glossolalia, é fácil de encontrar pesquisando no Google e há um post aqui no blog que explica detalhadamente esse fenômeno: O que é glossolalia?

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Observações:

1) Você diz: “Pense um pouco. Qualquer oração pode ser feita para Deus, em qualquer idioma, basta estar direcionada ao mesmo”

Não existe nenhuma base bíblica para afirmarmos que “qualquer” oração possa ser feita para Deus. O que Paulo diz no final deste mesmo capítulo é: “Mas faça-se TUDO decentemente e com ordem.” (I Corintios 14:40)

E quanto a COMO ORAR o próprio Senhor Jesus nos ensina em Mateus 6. Ali tem o “roteiro” completo de como deve ser feita uma oração.

Um detalhe por vezes negligenciado entre os cristãos é que cada cristão é um sacerdote perante Deus (Ap 6:1) e, a cada vez que ora, adentra ao Santíssimo lugar, junto ao Trono da Graça, e oferece ali sacrifícios espirituais agradáveis a Deus:

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e SACERDÓCIO SANTO, para oferecer SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS AGRADÁVEIS A DEUS POR JESUS CRISTO.” (I Pedro 2:5)

Alguém perguntaria: Que sacrifícios são esses e o que é oferecido se não existem mais sacrifícios? A resposta está em Rm 12:1:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis OS VOSSOS CORPOS em SACRIFÍCIO VIVO, santo e agradável a Deus, que é o vosso CULTO RACIONAL.” (Romanos 12:1)

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2) Você diz: “Você citou o pentecostes como pretexto para argumentar que não tem mais movimento pentecostalismo hoje em dia.”

Bem, acredito que você tenha confundido alguma coisa que eu disse, porque eu não disse isso. O que eu disse é que durante 1900 anos não houve registro de nenhuma manifestação do tipo “dom de línguas”. O movimento pentecostal existe sim nos dias de hoje e foi “criado” a partir do episódio conhecido como o “avivamento da Rua Azusa” no início do século XX. Até então, desde o primeiro século, inexistem registros de manifestações desse tipo.

Resumindo, não existe mais o “dom de línguas” nos moldes que muitos acreditam do tipo alguém passar a falar línguas estrangeiras instantaneamente ou ainda a tal “língua dos anjos”, algo que não faz nenhum sentido porque em toda a Bíblia, sempre que um anjo fala com alguém é na língua daquela pessoa.

O que Paulo disse (e aconteceu) foi: “O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; HAVENDO LÍNGUAS, CESSARÃO; havendo ciência, desaparecerá;” (I Corintios 13:8)

O cristão é chamado a viver uma vida em comunhão com o Senhor Jesus, não com os membros de um “clube” cujo nome dado pelos homens inclui a palavra igreja.

Recomendo a todos a mesma coisa que Paulo aos anciãos de Éfeso em Atos 20:32 – “Agora, pois, irmãos, encomendo-vos A DEUS E À PALAVRA DA SUA GRAÇA; A ELE QUE É PODEROSO PARA VOS EDIFICAR E DAR HERANÇA ENTRE TODOS OS SANTIFICADOS.”

Por isso o nome dos perfis é: Leia a Bíblia. É lá que estão as respostas.

“Fazer o que diz a Palavra de Deus é obediência; não fazer é rebeldia e fazer o que não diz é heresia.”

Germano Luiz Ourique

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