Não, o livro de Malaquias foi escrito exclusivamente para a nação de Israel e não tem nenhuma aplicação prática para a Igreja nos dias de hoje:

“Peso da palavra do SENHOR CONTRA ISRAEL, por intermédio de Malaquias.” (Ml 1:1)

Além disso, a mensagem em Malaquias se destinava aos sacerdotes em Israel:

“Agora, ó SACERDOTES, ESTE MANDAMENTO É PARA VÓS.” (Ml 2:1)

E além disso, vivemos hoje na dispensação da graça (Ef 3:2) e no tempo da Igreja, que era um “mistério” guardado por Deus através dos séculos e que só foi revelado a Paulo:

“Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este MISTÉRIO [A IGREJA] manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;” (Efésios 3:2-3)

Portanto, usar Malaquias para tentar justificar os dízimos que são cobrados hoje nas igrejas denominacionais que existem aos milhares espalhadas e espalhando a cristandade entre os mais diversos nomes, negando o nome de Cristo que é sobre todo nome e que deveria ser o único nome ao qual os cristãos deveriam se reunir, é um grande erro doutrinário ou o resultado da má fé dos lobos devoradores que querem explorar as “ovelhas”.

A Igreja só teve início no dia de Pentecostes (leia Atos 2) e está fundamentada na doutrina dos apóstolos (At 2:42) que é explicada em detalhes nas cartas dos apóstolos e principalmente nas cartas de Paulo, o apóstolo dos gentios. Já o livro de Malaquias (que significa “mensageiro”), além de ter sido uma mensagem de Deus exclusivamente para os israelitas e direcionada aos sacerdotes em Israel, foi escrito por volta do ano 450 ANTES de Cristo e praticamente 500 anos antes da Igreja existir.

É de extrema importância para a compreensão das Escrituras, saber “manejar bem a Palavra da Verdade” (2 Tm 2:15) separando Israel da Igreja para entender tanto a dispensação da graça como a ordem de Deus para a Igreja, a Noiva de Cristo. Israel é o povo TERRENAL de Deus escolhido DESDE e fundação do mundo:

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO;” (Mateus 25:34)

A Igreja, esse mistério “que esteve oculto desde todos os séculos” (Cl 1:26) e só nos foi revelado através de Paulo, é o povo CELESTIAL de Deus (Ef 1:3) e foi escolhido ANTES da fundação do mundo:

“Como também nos elegeu nele ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;” Efésios 1:4

Mas hoje em dia não existem ofertas na Igreja? Sim, existem. Ofertas voluntárias, conforme a prosperidade de cada um, recolhidas no primeiro dia da semana e destinadas unicamente para o auxílio dos irmãos necessitados exatamente como está descrito e caracterizado em 1 Co 16:1-3: “Ora, quanto à COLETA QUE SE FAZ PARA OS SANTOS, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No PRIMEIRO DIA DA SEMANA cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, CONFORME A SUA PROSPERIDADE, para que não se façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para LEVAR A VOSSA DÁDIVA A JERUSALÉM.” (I Corintios 16:1-3)

Por fim, a clássica recomendação: ler e estudar as Escrituras com amor e dedicação. Fazer como faziam os bereanos (Atos 17) que conferiam todos os dias nas Escrituras se aquilo que eles ouviam “era mesmo assim”. Quem prega a Palavra de Deus é responsável pelo que fala, e quem escuta, pelo que ouve. Ler e estudar a Bíblia não faz de ninguém um pastor ou evangelista, mas ensina a qual deles deve escutar.

Usar Malaquias para tentar justificar a prática do dízimo hoje em dia é desonestidade ou falta de conhecimento.

Germano Luiz Ourique

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Germano Luiz Ourique


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