Ao ensinar aos discípulos como orar, Jesus mostra a eles os principais pontos que compõem uma oração, e não um texto para ser decorado e repetido como fazem os pagãos com seus mantras e fórmulas mágicas. O conhecido “Pai Nosso” que é rezado por milhões de católicos e protestantes foi tirado do capítulo 6 do Evangelho de Mateus, onde a palavra “Amém” do final não existe nos melhores manuscritos. Em Lucas 11 está assim:

“Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano. Perdoa-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todos os que nos devem. E não nos deixes cair em tentação” (Lc 11:2- 4). Como se fosse uma lista de tópicos a serem lembrados, Jesus ensina que devemos nos dirigir ao Pai que é santo; que nossa expectativa deve estar na vinda do Reino; que devemos buscar em Deus a fonte de nosso sustento; que devemos ter consciência de nossa condição de pecadores, e dependermos continuamente dele para proteção.

Tudo começa reconhecendo a Deus como Pai, um relacionamento pessoal e familiar que nenhum judeu ousaria desfrutar. No mundo ocidental estamos tão acostumados a chamar a Deus de Pai que nem percebemos o quão radical foi o ensino de Jesus. Um judeu no Antigo Testamento chamaria a Deus de Pai no sentido de Criador, mas nunca com a ideia de um relacionamento familiar como encontramos nos evangelhos e epístolas. Para um muçulmano, então, nem pensar. No islamismo Deus tem 99 nomes e nenhum deles é Pai.

Antes que alguém pense que chamar a Deus de Pai seja diminuir sua Pessoa, a expressão “Santificado seja o teu nome” deixa clara a distinção que é devida a Deus. Ele é santo, isto é, separado de tudo e de todos, assim como a luz está separada das trevas. Ao nos dirigirmos a Deus podemos desfrutar de familiaridade, mas com reverência. Deus deve ser reverenciado, adorado e exaltado acima de todas as coisas.

Chamar a Deus de “Amigão lá de cima” ou de “O Cara”, como fazem alguns, é não compreender quem Deus realmente é. A Bíblia diz que “Deus é amor” (1 Jo 4:8), mas também que ele é “fogo consumidor” (Hb 12:29). Na Lei dada a Moisés o segundo mandamento era: “Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão” (Êx 20:7). Um cristão jamais deveria falar de Deus em anedotas, brincadeiras ou de qualquer outra maneira desrespeitosa.

Os três primeiros tópicos da oração — “Pai”, “santificado” e “teu Reino” — dizem respeito a Deus e os três restantes falam de nós. Mas que “Reino” é este que Jesus menciona na oração? A resposta está no próximo post.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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