Jesus continua reprovando os fariseus, que tentam se passar por justos aos olhos dos homens, porém são reprovados aos olhos de Deus. Ele diz: “Ai de vocês, fariseus, porque dão a Deus o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a sorte de hortaliças, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! Vocês deviam praticar estas coisas, sem deixar de fazer aquelas” (Lc 11:42).

O dízimo fazia parte das ordenanças dadas a Israel, e na época dos evangelhos vigora o judaísmo, não o cristianismo. A igreja só seria criada no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos, e é nas epístolas, e não na Lei, que encontramos instruções para a vida e adoração cristãs. Nas epístolas você encontra a doutrina dada à igreja, o povo celestial de Deus, e nela não há dízimos, e sim ofertas voluntárias.

Para o cristão também não há templos, altares, orquestras, dias santos, vestes cerimoniais, alimentos impuros e tantas coisas que a cristandade importou do judaísmo, ignorando a Carta aos Hebreus, que manda os cristãos se apartarem do antigo culto judaico. “Temos um altar do qual não têm direito de comer os que ministram no tabernáculo”, ou seja, os participantes do judaísmo. Considerando que “Jesus também sofreu fora das portas da cidade”, a exortação é para que “saiamos até ele, fora do acampamento”, ou o sistema judaico (Hb 13:10- 13).

O dízimo, portanto, era a décima parte do que um israelita obtinha como fruto de seu trabalho e oferecia a Deus para a manutenção do Templo de Jerusalém, dos sacerdotes, levitas e necessitados. Na atual dispensação da igreja não existe um Templo cristão e não há sacerdotes ou líderes para serem sustentados, já que todos os salvos por Cristo são igualmente sacerdócio santo. Mas ainda há necessidades, e o cristão tem o privilégio de fazer ofertas a Deus para este fim.

Porém o foco do que Jesus está dizendo aqui não está especificamente no dízimo, e sim na má fé dos fariseus, que davam religiosamente o dízimo até das coisas de menor valor, porém desprezavam a justiça e o amor de Deus, vivendo para a satisfação própria. Jesus lhes diz para praticarem as coisas mais importantes, sem negligenciar as de menor importância. E ele continua: “Ai de vocês, fariseus, porque amam os lugares de honra nas sinagogas e as saudações em público! Ai de vocês, porque são como túmulos que não se veem, por sobre os quais os homens andam sem o saber!” (Lc 11:43-44). A estratégia daqueles homens, que gostavam de viver de aparências, era tão boa que enganava a muitos. Passar por eles era o mesmo que caminhar sobre túmulos camuflados sem perceber estar pisando em esqueletos ressequidos e sem vida.

Mas o pior ainda estava por vir. Aqueles peritos da Lei tinham se apoderado da chave do conhecimento. Que chave é essa? Você saberá no próximo post.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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