Quando chega a época de o salmão desovar, este peixe de água salgada volta à nascente do rio onde nasceu. Para subir o rio, o salmão passa por uma transformação radical: seu crânio tem o perfil alterado para enfrentar a forte correnteza contrária e seu sistema respiratório muda completamente, para poder extrair o oxigênio da água doce, e não da água do mar onde vivia. Nada consegue fazer um salmão mudar de ideia e voltar para o mar. Você pode virá-lo que ele imediatamente dará meia-volta  e continuará a subir o rio para desovar e morrer. Nenhum deles escapa desta última viagem.

Que exemplo magnífico da disposição de Jesus neste momento do evangelho!  “Aproximando-se o tempo em que seria elevado ao céu, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém” (Lc 9:51). Outra tradução diz que ele “manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém”. Para quê? Para morrer.

Talvez você esteja entre os que pensam que Jesus foi um grande homem que deixou o exemplo de como você deve viver para receber a salvação eterna e o perdão dos pecados. É ótimo que queira imitar a Jesus, mas não se esqueça de que ele é o Filho de Deus, uma Pessoa divina, eterna, sem começo e nem fim, que viveu aqui absolutamente sem pecado e sem a possibilidade de pecar. Como imitar o próprio Deus sendo você um ser humano cheio de falhas? Não tem como. Você e eu fazemos parte de uma velha criação que foi arruinada pelo pecado.

O que faz um oleiro, quando seu vaso sai defeituoso? Destrói aquele e faz outro. Não é diferente com Deus. Sua criação original foi corrompida pelo pecado ao ponto de não ter conserto, por isso Deus a condenou à destruição. O problema é que ele quer poupar os seres humanos, e é aí que entra o Filho de Deus. Ao vir a este mundo em semelhança de homem, Jesus tornou-se o exemplar perfeito da criação original de Deus; o homem obediente e submisso que Adão deveria ter sido, mas não foi. Porém, por mais perfeito que Jesus tenha sido como exemplo de homem perfeito, não foi para isto que ele veio ao mundo.

Na cruz ele morreu como o único sacrifício pelos pecados, substituindo você no juízo divino. “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5:21). Ele morreu também para Deus colocar um fim no homem em seu estado original, o da velha criação. É por isso que neste ponto do evangelho vemos Jesus com o firme propósito de ir a Jerusalém, tal qual o salmão, que instintivamente sabe que se não morrer não deixará descendência. Jesus sabe que é como o grão de trigo: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12:24). Nada o deterá em sua jornada até a cruz.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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