Enquanto o filho pródigo era recebido com festa, “o filho mais velho… chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo… ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’. O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele. Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse seu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!’” (Lc 15:25-30).

O filho mais velho não é diferente do pródigo. Um queria gastar a herança com prostitutas, o outro com os amigos, e para eles o pai só servia para financiar a diversão. Porém, enquanto um entra na casa arrependido, o outro não. Ele se revolta por achar que merecia receber algo pelo tempo de serviço ao pai. Mas o pai responde que, por graça, tudo já pertencia a ele. “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu” (Lc 15:31).

O filho pródigo estava perdido por ser mau, gastador e baladeiro. O filho mais velho estava perdido por ser bom, trabalhador e caseiro, as mesmas qualidades que o fizeram recusar a graça do pai e a negar-se a entrar em sua casa. Alguém que confie em sua vida correta como meio de salvação não entende a magnitude do sacrifício de Cristo na cruz e não crê na eficácia de seu sangue derramado para nos purificar de nossos pecados. Ele acredita ser capaz de purificar-se a si mesmo.

Nunca me esquecerei da visita que fiz com um irmão à tia dele, que estava numa cama há anos, vítima de uma doença deformante. Assim que ele terminou de falar da graça de Deus e da salvação pela fé, a mulher se alterou. Extremamente irada e aos berros, contestava: “Quer dizer que todos esses anos na cama, todas as dores que passei e as orações que fiz não contam nada para minha salvação?!”. Nós achamos melhor sair dali antes que ela se exaltasse ainda mais.

E você, reagiria da mesma maneira se soubesse que sua caridade, seu sofrimento, suas orações ou qualquer outra coisa não contam pontos para o perdão de seus pecados e a salvação eterna? “Será que você despreza as riquezas da bondade, tolerância e paciência [de Deus], não reconhecendo que a bondade de Deus o leva ao arrependimento?” (Rm 2:4).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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