Outro contraste que encontramos entre a antiga e a nova dispensação está no conhecimento de Deus como Pai, algo que um judeu não podia desfrutar. Isto foi completamente revelado em Cristo e é um dos maiores privilégios do cristão. No Evangelho de João diz que “ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido”(Jo 1:18). Em sua carta o mesmo João fala de Jesus como sendo “o verdadeiro Deus e a vida eterna”(1 Jo 5:20).

No Antigo Testamento os israelitas celebravam sacrifícios que eram “uma recordação anual dos pecados, pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados”(Hb 10:3-4). A eles era apenas prometido que Deus iria prover um Cordeiro para tirar o pecado, porém só no futuro. O cristão tem, ao invés de promessas, o fato da redenção já consumada. É como se Israel tivesse apenas uma nota promissória, porém a Igreja desfrutasse do resgate do valor prometido.

Outra diferença é que na antiga dispensação um israelita podia contar apenas com a influência do Espírito Santo ou sua atuação eventual em si mesmo. Agora o Espírito habita permanentemente no cristão. Aos seus discípulos, ainda no período dos evangelhos em que vigorava o judaísmo, Jesus disse que o Espírito Santo estava com eles, mas que em breve viria habitar neles. A passagem está em João 14:16 e diz textualmente: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro [ou Consolador] para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês”.

Outro privilégio que Israel não tinha, mas agora a Igreja tem, é o de não sermos mais servos de Deus, porém filhos. Esta revelação gradual você encontra nos evangelhos. “Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido”(Jo 15:15). Isto Jesus disse antes de morrer, mas após a ressurreição ele revela a Maria Madalena o novo relacionamento do qual podemos desfrutar: “Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês”(Jo 20:17).

Por tudo isto e muito mais que você encontra nas Escrituras, como alguém poderia querer voltar às velhas práticas da lei ou dos rituais judaicos agora que estamos do lado de cá da cruz? Por que buscar no Antigo Testamento um modelo de adoração com aqueles que não podiam ter a certeza de sua salvação, que precisavam de um templo de pedras, de instrumentos musicais e de muito ouro para adorar? Como buscar bênçãos terrenas agora que “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo… nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo”? (Ef 1:3).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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