Chegamos ao último capítulo do Evangelho de Lucas, quando “no primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro. Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Ficaram perplexas, sem saber o que fazer” (Lc 24:1-4).

A perplexidade delas é igual à minha e à sua, quando as coisas não saem do modo como esperávamos. A razão é que, à semelhança daquelas mulheres, nos esquecemos de incluir Deus em nossa equação. Então, quando Deus age fora do esperado, perdemos o chão. Para elas, a dor da morte de Jesus aumentou ainda mais com a ideia de seu corpo ter sido roubado do sepulcro.

Mas e se ele tivesse ressuscitado? Não, elas não cogitariam tal coisa, pois aí seria preciso pensar fora da caixa de como as coisas acontecem nesta vida sem a intervenção divina. Porém, em alguns minutos elas irão aprender que, para Deus, nada é impossível.

“De repente dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol colocaram-se ao lado delas. Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: ‘Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galileia: ‘É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia’. Então se lembraram das suas palavras” (Lc 24:4-8).

A espera entre a morte de Jesus e a boa notícia dos anjos elas passaram horas de angústia e depressão. A Lei do descanso obrigatório no sábado não permitia que fossem dar sequência aos trabalhos de aplicar especiarias aromáticas ao corpo do defunto. É triste ver quantos hoje vivem nesse hiato de sofrimento e dor. Ouviram que Jesus morreu, penduram na parede de suas casas uma miniatura da cruz com a figura de um homem morto, e passam a vida “procurando entre os mortos aquele que vive”.

Isso faz lembrar a história do jovem que, ao se converter a Cristo, entendeu logo que crer no evangelho incluía crer na morte e ressurreição de Cristo. Então, quando reparou no crucifixo na parede da sala, não hesitou em arrancar dele a figura do homem morto. Quando sua mãe viu a cruz vazia, exclamou horrorizada: “Cadê o Jesus que estava aqui?!”. “Ressuscitou!”, respondeu o jovem com a naturalidade de quem crê no impossível.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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