Quando você assiste a um filme não imagina como irá terminar. Se soubesse, não perderia seu tempo assistindo. Cabe ao roteirista, que escreve o enredo, surpreendê-lo introduzindo novos personagens, trazendo à tona segredos ocultos e criando reviravoltas para entreter o público. Você acha que Deus seria menos criativo que esses roteiristas?

Existe um plano e existe um roteiro nos estúdios de Deus, e nada acontece por acidente. Você não pode julgar o filme enquanto não assistir até o fim, quando se dá o desfecho. Então todos os fios da meada, que pareciam soltos, se encontram para formar uma perfeita trama. O “filme” que Deus escreveu ainda não terminou. Ele foi escrito antes da criação do tempo, quando foi também ensaiado pela Divindade.

Seu tema é o amor, e seus principais protagonistas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — já ensaiavam o verbo “amar” desde eternamente. No mundo Jesus orou ao Pai dizendo: “Me amaste antes da criação do mundo” (Jo 17:24). Esse amor era tanto, que outros personagens foram convidados a participar do “filme”, e é aí que nós entramos, como o filho perdido da parábola. No enredo existe um “novilho cevado”, que é morto, figura do “Cordeiro sem mancha e sem defeito”, preparado de antemão para ser sacrificado, “conhecido antes da criação do mundo, [e] revelado nestes últimos tempos” (1 Pe 1:19-20).

Se alguém me pergunta quando foi que Deus começou a me amar, respondo que ele nunca começou, pois sempre me amou. Afinal, como teria preparado na eternidade um Cordeiro para morrer por mim antes que eu existisse? Como teria escolhido a mim e a outros “antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.”? “Em amor nos predestinou — também antes da criação do mundo — para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo” (Ef 1:4-5).

Eu nunca teria chegado ao Pai se ele não tivesse me enxergado de longe — de uma eternidade de distância — e corrido me abraçar, como ao filho da parábola. “Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou” (Lc 15:20). Não fui eu quem tirou meu “trapo imundo” (Is 64:6), “mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar. ‘“ (Lc 15:22-23).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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