A carta aos Efésios diz que, depois de ressuscitar a Cristo e fazê-lo assentar-se “à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir, Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância”Ef 1:20-23. Portanto, a Igreja representa a Cristo neste mundo durante o tempo de sua ausência e rejeição, sendo ela agora a rejeitada por sua associação a ele.

Satanás queria livrar-se de Cristo e expulsá-lo da terra, porém Jesus continua aqui representado por seu povo. Aquele que perseguir a Igreja estará perseguindo a própria Pessoa de Jesus, pois foi isto que ele disse a Paulo, que perseguia os cristãos: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?”(At 9:4). Além de ser o corpo de Cristo na terra, enquanto a Cabeça está no céu, a Igreja também é a casa de Deus, “um santuário santo no Senhor”, no qual os salvos “estão sendo juntamente edificados, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito”(Ef 2:21-22).

A Igreja é também vista na Bíblia como a Noiva que Deus planejou para o seu Filho, uma companhia que pudesse desfrutar de tudo o que Cristo possui na glória celestial. Um casal formado por um homem e uma mulher representa essa união de Cristo com sua Noiva, a Igreja. É por isso que, ao exortar os maridos a amarem suas esposas, Paulo revela estar falando figuradamente de Cristo e da Igreja. É por isso também que qualquer tentativa de desfigurar o matrimônio é uma abominação aos olhos de Deus, cujo plano era que a relação homem mulher representasse a relação entre o seu Filho e sua Esposa. Continue lendo »


A morte de Cristo marcou o fim do período em que Deus tratou com Israel como nação. Sua ressurreição e a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes para habitar neste mundo deram início à atual dispensação. Naquele dia os discípulos de Jesus estavam reunidos num só lugar quando o Espírito Santo desceu e os batizou em um só corpo, não apenas os que estavam ali, mas a todos os que depois viriam a ser salvos por Cristo. Portanto, quando você ouvir alguém falar em “ser batizado com o Espírito Santo”, entenda que esse batismo já aconteceu ao formar o corpo de Cristo, a Igreja, conforme lemos no Livro de Atos:

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua”(At 2:1-8).

Que esse batismo só ocorreu uma vez, e nele estão incluídos todos os que viriam a crer em Jesus, está bem explicado por Paulo em sua carta aos Coríntios. Os cristãos em Corinto eram gregos convertidos a Cristo que não estavam em Jerusalém no dia de Pentecostes. Mas ao escrever a eles Paulo revela que haviam sido batizados em um só Espírito formando um só corpo. Continue lendo »


Em sua conversa com a mulher samaritana, Jesus apontou uma mudança radical no modo e lugar de adoração a Deus. Os judeus adoravam em um Templo em Jerusalém, o único lugar autorizado por Deus para a adoração. Porém Jesus disse à samaritana: “Está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”(Jo 4:23). A carta aos Hebreus ratifica essa mudança, ao deixar de lado o antigo sistema de adoração do judaísmo. Em seu capítulo 13 diz:

“Nós temos um altar do qual não têm direito de comer os que ministram no tabernáculo. O sumo sacerdote [do judaísmo] leva sangue de animais até o Santo dos Santos, como oferta pelo pecado, mas os corpos dos animais são queimados fora do acampamento. Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir. Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome. Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada” (Hb 13:10-16). Continue lendo »


Para se entender a Bíblia é preciso enxergar a diferença entre o modo de Deus tratar com Israel e com a Igreja. A antiga dispensação girava em torno de uma nação, Israel, enquanto a nova diz respeito ao corpo de Cristo, a Igreja. Nenhum outro povo havia recebido a Lei, mas apenas uma nação, Israel, por isso os privilégios da Lei eram destinados mais à nação do que ao indivíduo. Em tempos de ruína Deus tratava particularmente com indivíduos, mas sempre tendo em vista seu lugar numa nação eleita para habitar numa terra, Israel.

Na nova dispensação não existe qualquer característica nacional na Igreja. Ao contrário da Lei, que fora dada exclusivamente a um povo, o evangelho agora é pregado a todas as nações. A Igreja não é nacional e nem internacional ou mundial, mas é independente das nações. Ela é extranacional e chamada para fora do mundo. Por isso Atos 15:14 revela que Deus está tirando de entre as nações um povo para si: “Deus… visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome”. Repare que a passagem diz “dentre eles”, ou seja, a Igreja não é tampouco um agrupamento de gentios, mas de pessoas tiradas de entre gentios e judeus.

A igreja é um povo distinto e separado, e é neste sentido que Pedro a chama de “nação santa”(1 Pe 2:9). Hoje, ao olhar para o mundo, Deus vê três classes de pessoas: judeus, gentios e igreja. Por isso Paulo escreveu: “Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gentios, nem para a igreja de Deus”(1 Co 10:32). Pense na Igreja como um contêiner sendo preparado para exportação. Assim que for colocado nele o último item comprado por Cristo, o contêiner será despachado para o céu. Continue lendo »