Você deve saber identificar na Bíblia, não apenas o que é falado, mas também quando foi falado, por quem, para quem e por que razão. Assim você evitará aplicar a si mesmo coisas que foram ditas ao povo judeu em um determinado momento e com um objetivo específico. É o caso da pregação de João Batista.

Ele é um profeta judeu, o último e maior de todos os profetas de Israel. Sua missão é avisar que o Rei anunciado pelos outros profetas acaba de chegar. João é como esses batedores, que vão com suas motocicletas à frente do carro oficial que transporta um soberano. Apesar do alarde que fazem com suas luzes e sirenes, não é para si mesmos que querem chamar a atenção, mas para aquele cuja chegada eles anunciam. Tão logo o rei chegue ao destino, a missão dos batedores foi cumprida e eles saem de cena.

Assim é João Batista. Ele abre caminho para o Messias. O seu clamor tem por objetivo eliminar os obstáculos: aterrar os buracos, nivelar as lombadas, deixar a estrada reta e aplainar seu leito. Lucas escreve que “Todo o vale se encherá, e se abaixará todo o monte e outeiro; e o que é tortuoso se endireitará, e os caminhos escabrosos se aplanarão”. Veja que apesar de a mensagem de João Batista ser dirigida aos judeus, a Pessoa que ele anuncia é o Salvador de toda a humanidade. Lucas completa dizendo: “Toda a carne verá a salvação de Deus” (Lc 3:5-6). Continue lendo »


Depois dos reis Davi e Salomão, o declínio da nação de Israel teve diferentes fases. O reino dividiu-se em dois, mergulhou na idolatria e perdeu dez de suas doze tribos. Mesmo assim Deus preservou um remanescente fiel que não se deixou levar pela ruína generalizada, como vimos na história de Simeão e Ana.

Agora, no capítulo 3 do evangelho de Lucas, entra em cena João Batista, a “voz que clama no deserto”, e é assim que Israel é visto aqui: um deserto moral e dominado pelo inimigo. O versículo 1 explica que o povo está sob o domínio do imperador romano Tibério Cesar, e governado localmente por Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Traconites e Lisânias, um time de escórias humanas.

Alguém poderia argumentar que as coisas melhoraram se comparadas com os anos de idolatria, já que o Templo foi reconstruído, a ordem sacerdotal restabelecida e os ídolos banidos do culto judaico. Mas é só aparência. O templo foi reconstruído pelo iníquo Herodes, o Grande, há dois sumo sacerdotes, Anás e Caifás, ao invés de um como seria o correto, e a idolatria continua. O ídolo da hora não é de pedra, pau ou barro; é a cobiça, travestida de religiosidade. Continue lendo »


“É melhor confiar no SENHOR do que confiar no homem.” (Salmos 118:8)

São muitos os que se desesperam para ouvir “a voz de Deus” e são enganados por serem biblicamente incautos, gerando lucro a muitos outros que disponibilizam até mesmo tutoriais sobre como ouvir a voz do Pai.

Ter um relacionamento com Deus é algo simples e puro, pois a graça pela qual somos alcançados em Cristo se estende a todos nós, logo não é um privilégio destinado a um grupo seleto que detém dos mistérios da Palavra e é exclusivamente capaz de ouvir a voz de Deus a qualquer momento espontaneamente. Esta é uma dádiva concedida a todos os salvos, não apenas a líderes religiosos munidos de honrarias atribuídas por homens no alto de seus púlpitos.

Você pode ouvi-lo agora mesmo se quiser. Não necessariamente no sentido literal, mas abra a sua Bíblia e permita que Deus fale. A voz dEle pode ser claramente discernida ali, o Seu Espírito Santo se encarrega de nos dar o entendimento necessário para desvendar seus “mistérios”. Continue lendo »


José e Maria ficam perplexos quando encontram Jesus, aos doze anos de idade, conversando com os mestres da religião judaica no Templo de Jerusalém. Maria o repreende: “Filho, por que você nos fez isto? Seu pai e eu estávamos aflitos, à sua procura” (Lc 2:48). A resposta de Jesus é cheia de significado:

“Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?”. Outras versões dizem: “Não sabiam que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” (Lc 2:49). Estas palavras adquirem um significado ainda maior quando entendemos que judeu algum jamais ousaria chamar a Deus de Pai.

Esta passagem joga por terra as teorias que falam de Jesus como se fosse uma pessoa qualquer, que dos 12 aos 30 anos teria morado com os essênios ou viajado à Índia para aprender tudo o que sabia. Nós o vemos aqui aos doze anos, não só maravilhando os sábios de Israel com suas respostas e entendimento das Escrituras, como também consciente de ser o Filho de Deus vindo ao mundo para cuidar dos interesses do Pai. Continue lendo »