O capítulo 12 de Lucas nos exorta a vivermos na expectativa da vinda iminente de Jesus, justamente por não sabermos quando será. Ele diz: “Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes… Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar” (Lc 12:37-38). Em Marcos 13:35 ele fala das quatro vigílias usadas na época: “…à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer”. Porém aqui apenas duas são mencionadas, a da “meia-noite” e a do “cantar do galo”, pois o assunto é sua vinda para os seus, e não para o mundo.

A vigília da “meia-noite” é mencionada na parábola das dez virgens, que nos fala da responsabilidade dos que levam o testemunho de Deus na terra, sejam genuínos ou falsos; com ou sem o azeite do Espírito. Mateus 25:6 diz que “À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima!’”. Este aviso a todas as virgens foi dado há cerca de duzentos anos, quando muitos cristãos voltaram a pregar que Jesus voltaria a qualquer momento para arrebatar sua Igreja.

A Teologia do Pacto, adotada até então por católicos e protestantes, não tinha qualquer preocupação com a vinda iminente de Jesus. Por considerar a Igreja como a legítima sucessora de Israel, portanto beneficiária das bênçãos terrenas prometidas àquele povo, durante séculos o foco da cristandade esteve em conquistar o mundo para a Igreja e não as pessoas para Cristo. O objetivo era preparar o mundo para Jesus poder vir reinar. Nessa visão não havia lugar para a ideia de Jesus vir buscar sua Igreja a fim de levá-la para o céu. Continue lendo »


Ao contrário do que muitos falsos profetas têm feito, não encontramos na Bíblia qualquer autorização para determinar o momento exato da vinda de Jesus. Em Marcos 13:32 o Senhor diz: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai”. Por causa desta passagem alguns colocam em dúvida a divindade de Jesus. Se ele era Deus, como poderia desconhecer o dia e a hora de sua própria vinda?

Mas um versículo em João 15:15 indica que “o servo não sabe o que o seu senhor faz”, e era neste caráter que Jesus estava no mundo. Filipenses 2:6-7 diz que “Cristo Jesus… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens”. Como Deus ele sabia, mas como servo não lhe era dado saber, principalmente se a finalidade fosse revelar isso a outros.

Atos 1:6-7, embora se referindo aos discípulos, ajuda a entender a competência que cada um tem conforme sua posição e autoridade. Ali diz: “Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: ‘Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?’ Ele lhes respondeu: ‘Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade’”. Continue lendo »


Se você já foi salvo por Cristo deve viver agora como um servo que aguarda ansioso pela volta de seu Senhor. Para os seus ele voltará para servi-los. Ele diz: “Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los” (Lc 12:37). “Ele se vestirá para servir” indica uma roupagem que nada tem a ver com a roupa de um juiz, que é como ele virá vestido para o mundo em geral.

Em Apocalipse 1:13-17, João descreve as vestes de Jesus em seu caráter de um juiz severo, e elas nada tem a ver com este manso Senhor que volta como se fosse um garçom para acomodar os seus confortavelmente reclinados à mesa e servi-los. O caráter do Senhor como o Juiz que virá para julgar o mundo pode ser visto no capítulo 1 de Apocalipse quando o Senhor apareceu ao apóstolo João numa roupagem de meter medo.

Ele trazia “uma veste que chegava aos seus pés”, semelhante à toga que vemos os juízes usarem nos tribunais. Também “um cinturão de ouro ao redor do peito” simbolizando a justiça e fidelidade com que ele julga, como em Isaías 11:5, que diz: “A retidão será a faixa de seu peito, e a fidelidade o seu cinturão”. “Sua cabeça e seus cabelos… brancos como a lã” representam sua eternidade, além da experiência e sabedoria de um ancião, como ele é visto também em Daniel 7:9. Continue lendo »


Nem todo cristão percebe as consequências das distorções causadas pela Teologia do Pacto. Durante séculos a Igreja, que deveria viver como estrangeira neste mundo e em constante expectativa pela vinda do Noivo, achou-se no direito de reivindicar para si as promessas feitas por Deus a Israel no Antigo Testamento. Assim os judeus foram perseguidos de forma implacável por aqueles que estavam de olho em seu espólio ou eram simplesmente levados pelas ideias vigentes na época. Se você estudou história aprendeu que não foram apenas os Papas, mas também reformadores como Lutero e Calvino que perseguiram judeus.

Mais recentemente pregadores inescrupulosos passaram a oferecer à Igreja as bênçãos terrenas prometidas originalmente a Israel. A Teologia da Prosperidade é um dos subprodutos da Teologia do Pacto. Portanto, se você acreditava que não importa muito adotar uma ou outra visão — Dispensacionalismo ou Teologia do Pacto — é melhor reconsiderar. Sua escolha determinará se no topo da lista das coisas que você espera para qualquer momento está encontrar-se com o Senhor nos ares ou os eventos que virão após o arrebatamento da igreja.

Dentro da visão dispensacionalista, que é a que eu acredito ser a correta, o Senhor pode voltar neste exato momento para ressuscitar a todos os que morreram em Cristo e arrebatar sua Igreja para o céu. Paulo explica isto em 1 Tessalonicenses 4, incluindo-se entre os que em seu tempo já aguardavam pelo Senhor: “Pois… o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, [nós] os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim [nós] estaremos com o Senhor para sempre” (1 Ts 4:16-17). Continue lendo »