Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo falou, e a multidão ficou admirada. Mas alguns deles disseram: ‘É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios’. Outros o punham à prova, pedindo-lhe um sinal do céu” (Lc 11:14-16). Enquanto alguns dentre o povo são categóricos em afirmar que o poder de Jesus vem do diabo, outros exigem que ele faça um sinal do céu para provar a origem de seu poder.

A resposta para os que o acusam de ser energizado por Satanás vai do versículo 17 ao 26 deste capítulo 11 de Lucas. Jesus demonstra o absurdo que seria o diabo agir contra si mesmo. Aos que pedem que ele faça um sinal do céu Jesus responde no versículo 29: “Esta é uma geração perversa. Ela pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal de Jonas” (Lc 11:29).

A reação do povo revela um comportamento encontrado também entre cristãos, que é o de difamar aquilo que não conseguem compreender ou não querem aceitar. Quer um exemplo? Você já deve ter ouvido cristãos chamarem Paulo de machista ou solteirão frustrado quando leem, no capítulo 14 de 1 Coríntios, o que o Espírito Santo ensina sobre os limites da atuação das mulheres nas reuniões da igreja. Mas no mesmo capítulo a ordem para as mulheres ficarem caladas nas igrejas termina assim: “Se alguém pensa que é profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor” (1 Co 14:37). Continue lendo »


Este Evangelho é conhecido como o Evangelho de Mateus porque foi escrito pelo apóstolo do mesmo nome. O estilo do livro é exatamente o que seria esperado de um homem que já foi um cobrador de impostos. Mateus tem um grande interesse em contabilidade (18:23-24; 25:14-15). O livro é muito ordenado e conciso. Ao invés de escrever em ordem cronológica, Mateus organiza este Evangelho através de seis discursos.

Como cobrador de impostos, Mateus tinha uma habilidade que torna seus escritos ainda mais emocionantes para os cristãos. Esperava-se que os coletores de impostos fossem capazes de escrever em uma forma de taquigrafia, o que essencialmente significa que Mateus podia gravar as palavras de uma pessoa à medida que falavam, palavra por palavra. Essa capacidade significa que as palavras de Mateus não são apenas inspiradas pelo Espírito Santo, mas devem representar uma transcrição real de alguns dos sermões de Cristo. Por exemplo, o Sermão da Montanha, como registrado nos capítulos 5-7, é quase certamente uma gravação perfeita daquela grande mensagem.

Quando foi escrito: Como um apóstolo, Mateus escreveu este livro no início do período da igreja, provavelmente por volta de 50 dC. Essa foi uma época em que a maioria dos cristãos eram judeus convertidos, assim, o foco de Mateus na perspectiva judaica neste evangelho é compreensível

Propósito: Mateus tem a intenção de provar aos judeus que Jesus Cristo é o Messias prometido. Mais do que qualquer outro evangelho, Mateus cita o Antigo Testamento para mostrar como Jesus cumpriu as palavras dos profetas judeus. Mateus descreve em detalhes a linhagem de Jesus desde Davi e usa muitas expressões familiares aos judeus. O amor e preocupação de Mateus por seu povo é visível através de sua abordagem minuciosa de contar a história do evangelho. Continue lendo »


Em Atos capítulo 10 você encontra Cornélio, um centurião romano convertido ao judaísmo. Mas ele não é um mero religioso e nem recebeu a Palavra de Deus só intelectualmente, como os fariseus de outrora ou alguns teólogos atuais. A água da Palavra de Deus foi aplicada em Cornélio pelo Espírito de Deus, por isso ele possui vida espiritual. Cornélio é nascido de novo, porém não salvo.

Mas como posso afirmar que ele é nascido de novo? Porque a nova vida que traz em si o leva a buscar a Deus e a fazer coisas que agradam a Deus. Veja o que diz Atos 10:1-4: “Ele e toda a sua família eram piedosos e tementes a Deus; dava muitas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus… suas orações e esmolas subiram como oferta memorial diante de Deus”. Agora compare com Romanos 3:10-11: “Não há um justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus… não há ninguém que faça o bem”.

Percebe o contraste? Romanos fala de alguém em sua condição natural de pecador arruinado: não entende, não busca a Deus e não faz o bem. Atos fala de alguém nascido de novo, com a nova vida que o Espírito de Deus injeta numa pessoa ao aplicar nela a Palavra de Deus, mesmo que no caso de Cornélio tenha sido apenas o Antigo Testamento. Ele busca e teme a Deus, e o bem que faz é reconhecido por Deus. Mesmo assim Cornélio ainda não está salvo, pois precisa encontrar-se com Pedro para escutar as boas novas de salvação. Continue lendo »


A dúvida é se alguns dons que encontramos na Palavra de Deus teriam cessado depois do início da Igreja. Isso é como perguntar se a bicicleta de seu filho perdeu alguma roda depois que ele cresceu. Sim, perdeu as duas rodinhas traseiras que serviam para ele aprender a pedalar e não eram mais necessárias quando conseguiu ter equilíbrio.

De igual modo os dons têm uma utilidade e a própria Palavra explica que “a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” (1 Co 12:7). Se não existe utilidade, então não há razão para um dom se manifestar, porque Deus não aprova o exibicionismo. Se perguntarmos qual foi a utilidade dos dons que encontramos na Bíblia descobriremos que aqueles que deixavam claro ser manifestações sobrenaturais, como revelações, curas, sinais e línguas,tinham uma função muito clara.

Eu dividiria o assunto em dois, um para os dons de Cristo de Efésios 4 e outro para as manifestações espirituais de 1 Coríntios 12. No início da igreja havia apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores ou mestres, todos eles voltados ao aperfeiçoamento dos santos, à obra do ministério e edificação do corpo de Cristo.

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Ef 4:11-14).

Dentre estes dons, os dois primeiros — apóstolos e profetas — já não mais existem, pois eram eles que davam sustentação à casa de Deus juntamente com Cristo, a Pedra de esquina. Continue lendo »