O versículo 4 de Lucas 17 fala de arrependimento e perdão, e ali o número sete representa algo completo, tanto para o arrependimento como para o perdão. “Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe”. Arrepender-se é ir contra a natureza humana que quer sempre estar com a razão. Para se arrepender você precisa admitir que falhou, e seu ego não vai gostar disso. Você pode até fazer algo para reparar o dano e mesmo assim não estar arrependido, como quando paga uma multa de trânsito. Você sente-se mal pelo dinheiro que gastou, mas não pela infração que cometeu.

Ao pecarmos, nosso primeiro impulso é jogar a culpa em alguém, e isso não vem de hoje. Eva jogou a culpa na serpente: “A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3:13). Adão culpou a mulher e o próprio Deus: “Foi a mulher que [tu] me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi” (Gn 3:12). Colocar a culpa no outro é um instinto carnal, mas julgar a si mesmo e se considerar culpado é o resultado da graça operada por Deus na alma, algo contrário à natureza humana.

Três coisas nos levam ao arrependimento: a bondade de Deus, o juízo futuro e a tristeza: “Ou será que você despreza as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência, não reconhecendo que a bondade de Deus o leva ao arrependimento?” (Rm 2:4). “Deus… agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou” (At 17:30- 31). “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” (2 Co 7:9).

O arrependimento genuíno é um exercício profundo de alma, como descreve o profeta Jeremias: “De fato, depois de desviar-me, eu me arrependi; depois que entendi, bati no meu peito. Estou envergonhado e humilhado” (Jr 31:19). O arrependimento verdadeiro gera uma mudança de atitude, mas o falso é apenas uma fuga das consequências, como acontece com o bandido que se diz arrependido só porque foi preso. Ao tratar com os fariseus e saduceus, que só tinham aparência de piedade, João Batista os alertou da necessidade de demonstrar o arrependimento na prática: “Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento!” (Mt 3:7)

No próximo post nosso assunto será o perdão.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


Comentários:


  1. Simone disse:

    Como sabemos se realmente conseguimos liberar o perdão a alguém?


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