O primeiro julgamento de Jesus foi religioso. Ele foi condenado por se declarar o Cristo, o Filho de Deus, fazendo-se assim igual a Deus. Mas essa acusação não era suficiente para o tribunal secular romano, por isso os judeus adotam outra estratégia ao entregar Jesus a Pilatos. No Evangelho de Lucas há três acusações que os judeus fazem diante dos romanos: que Jesus era um revolucionário, que incitava a população a não pagar impostos a César e declarava ser o rei dos judeus.

A coisa toda é surreal. Por que? Ora, Israel era uma nação invadida e os romanos eram os inimigos. Vamos chamar Israel de França, Roma de Alemanha e César de Hitler para entendermos melhor o que está acontecendo aqui. Imagine durante a 2ª Guerra um cidadão francês sendo entregue pelos franceses aos alemães por ser um revolucionário que luta contra os invasores, incita a população a não pagar impostos a Hitler e ainda alega ser o presidente da França!

Oras, aquele francês era exatamente o que os franceses precisavam, e seria um absurdo entregá-lo ao inimigo. Pois é o que acontece aqui. O ódio dos judeus contra Jesus é tão grande que eles não têm qualquer escrúpulo em se unir ao inimigo para conseguir a morte do Filho de Deus.

“Você é o rei dos judeus?”(Mt 27:11) pergunta Pilatos. Jesus confirma. Os judeus, então, descarregam sobre ele uma torrente de acusações, mas só encontram o silêncio de Jesus como resposta, o que surpreende Pilatos. Como parte das festividades da Páscoa, era costume dar anistia a um condenado, e Pilatos tem, além de Jesus, outro candidato à anistia: Barrabás, um ladrão e homicida. A escolha é democrática.

Se alguma vez você achou que a expressão “a voz do povo é a voz de Deus”tinha alguma coisa a ver com a Bíblia, aqui está a prova em contrário. Nesta eleição democrática o povo é unânime em escolher o bandido Barrabás. A voz do povo é a voz do povo, só isso, pois o povo é, por natureza, inimigo de Deus. Todos os seres humanos são assim. É aí que entra a maravilha da graça de Deus em salvar o pecador, não por seus méritos, mas porque Deus quer salvá-lo.

Você não chega à fé em Jesus por ser melhor ou ter tido uma grande sacada ao entender o evangelho. Pode até parecer que, no momento de sua conversão a Cristo, era você quem estava no comando, mas depois você acaba entendendo que Deus trabalhava nos bastidores para que esse encontro com o Salvador pudesse acontecer. Longe de livrar você da responsabilidade de crer em Jesus, isso glorifica a Deus, e não ao homem, pela salvação.

Ou você acha que, sendo inimigo de Deus por natureza, tão mau quanto eu, Pilatos ou qualquer um daqueles judeus, você daria o seu voto a Jesus? Não. Eu e você também teríamos escolhido Barrabás. E se você pensa o contrário, ainda não entendeu o que é ser um pecador necessitando desesperadamente da graça e da misericórdia de Deus para ser salvo.

Por Mario Persona

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