É preciso entender que o ministério de João Batista era transitório. Os judeus aguardavam o Messias para reinar, e João fora enviado para anunciar a chegada do Messias e de seu Reino. Mas o próprio João não fazia parte desse Reino, como Jesus informa: “Entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João; todavia, o menor no Reino de Deus é maior do que ele”(Lc 7:28).

O Reino de Deus não é a mesma coisa que o céu. O Reino é a manifestação de Cristo para os que pertencem a ele. Mais adiante Jesus diria: “O Reino de Deus não vem de modo visível… porque o Reino de Deus está entre vocês”(Lc 17:20-21). Isto era um fato, pois o próprio Rei estava aqui andando entre os homens, ainda que não fosse reconhecido por eles. Um dia, quando Cristo voltar, esse Reino será visível e estabelecido em poder e glória, mas não agora.

Ao ser rejeitado pelos judeus, o Rei voltaria para o céu e seu Reino permaneceria aqui no caráter de Reino dos Céus, que identifica sua origem. No presente momento o Reino inclui todos os que professam ser cristãos, sejam falsos ou verdadeiros, joio ou trigo. João Batista prega um batismo de arrependimento, uma espécie de curso preparatório para o Reino. Mais tarde, no livro de Atos, os discípulos que haviam sido batizados a João seriam novamente batizados a Jesus, ou seja, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A pregação de João Batista foi recebida pelos desprezados dentre o povo e até pelas pessoas de má reputação, como os publicanos que coletavam impostos para os romanos. Eles ouviram, creram e se arrependeram, deixando-se batizar pelo batismo de João. Porém os religiosos judeus não quiseram crer que eram pecadores e necessitavam se arrepender.

Os que criam na pregação de João Batista justificavam a Deus, ou seja, consideravam que Deus era justo em acusá-los de pecado e exigir que se arrependessem. Aceitar o batismo de arrependimento era o ato exterior dessa disposição do coração. Já os religiosos confiavam demais em sua justiça própria para poderem justificar a Deus. Quem acredita em sua própria justiça se acha merecedor da salvação e ofende a Deus. Se você adota o seu modo de ser como padrão de justiça, Deus será injusto, pois o padrão dele é diferente do seu. Você precisa se arrepender, você precisa crer se quiser ser salvo.

Mas para crer e se arrepender é preciso que a consciência seja despertada para o pecado, e é este o assunto do próximo post.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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