Decidido a subir a Jerusalém para morrer, Jesus pede aos discípulos que sigam na frente. “Indo estes, entraram num povoado samaritano para lhe fazer os preparativos; mas o povo dali não o recebeu porque se notava em seu semblante que ele ia para Jerusalém. Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram: ‘Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los?’. Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: ‘Vocês não sabem de que espécie de espírito são pois, o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los’; e foram para outro povoado” (Lc 9:51- 56).

Veja a sequência de falhas no comportamento dos discípulos. Primeiro, no monte da transfiguração, Pedro sugeriu igualar Jesus com Moisés e Elias, fazendo uma tenda para cada um. Enquanto isso, os discípulos que ficaram ao pé do monte não conseguiam libertar um menino possesso, por lhes faltar a oração e o jejum. Em seguida eles passaram a discutir qual seria o maior no reino e queriam proibir um homem de expulsar demônios em nome de Jesus, por não andar com eles. Agora Tiago e João querem matar os samaritanos que se recusam a receber Jesus.

As circunstâncias servem para expor o que existe no fundo do coração, mesmo daqueles que seguem a Jesus. Você já deve ter visto cristãos que exaltam os servos de Deus, ao invés de se ocuparem apenas com Jesus. Outros fazem longas orações, achando que o poder está na sua oração, sem perceber que orar é depender de Deus. Também jejuam literalmente, sem perceber que o sentido do jejum é abster-se de tudo o que satisfaz a carne, e pode estar certo de que nem sempre é comida.

A competição para ser o maior no reino não terminou nos dias dos discípulos. Hoje você encontra campanhas religiosas alardeando homens como “O maior pregador do mundo”, “O mais versado nas Escrituras” ou “O mais poderoso servo de Deus”. Na cristandade homens arrogantes disputam esses títulos numa guerra de vaidades sem paralelo até entre os incrédulos. E quantas vezes você viu cristãos querendo interferir no trabalho que outros fazem para Cristo, só por não fazerem parte de seu grupo ou denominação? O desejo de destruir os que se opõem a Cristo também não é difícil de ser encontrado. A resposta de Cristo a tudo isso é: “Vocês não sabem de que espécie de espírito são”.

Se você encontrar alguém, que se diz servo de Deus, mas confia no poder de sua própria oração ou disputa para ser o maior, ou faz ameaças contra todos os que se opõem a ele, pode estar certo de estar diante de uma prepotente caricatura de cristão, e não de algo real. Jesus, “quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” (1 Pe 2:23).

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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