O site que você indicou (GotQuestions) costuma ter respostas bíblicas e corretas sobre muitas coisas, mas quando o assunto é a igreja ou como congregar eles podem estar errados. Apesar de o site se declarar não-denominacional, as pessoas que contribuem com as respostas podem ser denominacionais, já que são “pastores, jovens pastores, missionários, conselheiros bíblicos, estudantes de faculdades cristãs, estudantes de seminários” etc. Em suma, são protestantes e trazem muitos dos costumes desse segmento religioso, incluindo a repetição de elementos judaicos em sua adoração, como a existência de templos, clérigos, corais etc.

Na pergunta sobre a validade de se utilizar instrumentos musicais na adoração cristã a resposta que o site dá parte do perigoso princípio de que aquilo que era feito no Antigo Testamento e não é explicitamente proibido no Novo Testamento deve ser permitido na igreja. O problema é que, apesar de muitas questões morais que temos hoje poderem ser respondidas por princípios encontrados no Antigo Testamento, quando o assunto é Igreja tudo o que podemos extrair do Antigo Testamento são sombras e figuras, nunca a coisa real, já que a Igreja foi algo criado por Deus a partir do zero, isto é, não se trata de uma continuação ou aperfeiçoamento do judaísmo. Veja as passagens abaixo:

Cl 2:16, 17 “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”.

Hb 8:5 “Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais…”

Hb 10:1 “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas…”

1Co 10:6 “E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram”.

Heb 9:24 “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro…”

O site que você indicou diz que “o fato de que o Novo Testamento não condenar em nenhum lugar o uso de instrumentos musicais indica que a prática do Antigo Testamento foi continuada na igreja no Novo Testamento. A igreja primitiva era composta quase que completamente de judeus. É muito provável que eles continuaram usando instrumentos musicais na igreja, assim como faziam na adoração do Antigo Testamento”.

A percepção dele de que cristãos judeus teriam continuado as práticas da adoração judaica no cristianismo é correta, mas isto não significa que estavam agindo corretamente, pois a epístola aos Hebreus foi escrita justamente para corrigir isso. Se a resposta do site diz que está bem copiar os costumes do judaísmo na adoração cristã, o livro de Hebreus diz que está errado.

Em Hebreus você aprende que os costumes do Antigo Testamento “importados” para a igreja deviam ser abandonados de vez. Ali os judeus convertidos (justamente os que traziam consigo elementos do judaísmo) são exortados a abandonar completamente o antigo culto judaico com todas as suas práticas. Se havia assembleias nos primórdios do cristianismo que estavam adorando como se fosse judaísmo elas estavam completamente erradas.

“Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo…. por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente [a Jerusalém dos judeus], mas buscamos a futura. (Hb 13:10-14)

A adoção de costumes judaicos na adoração cristã na igreja primitiva realmente aconteceu antes que a verdade da igreja fosse revelada a Paulo e depois aos outros apóstolos. Vemos no início do livro de Atos (Atos é um período de transição) que os cristãos continuaram frequentando o Templo. Deus colocou um basta naquilo ao permitir uma perseguição na Judeia que espantou os cristãos para longe do centro de adoração que Deus havia instituído no Antigo Testamento (o Templo de Jerusalém).

Ats 8:1 E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos.

Deus estava deixando claro que nada mais havia no Templo ou em Jerusalém que devia ser usado na adoração cristã. Esta era completamente distinta do judaísmo e ninguém mais encontraria Deus no Templo de Jerusalém, pois aquela casa ficaria deserta (Lc 13:35). Quando Jesus saiu do Templo (Mt 24:2) o lugar ficou vazio e destinado à destruição.

A perseguição aos judeus convertidos continuou de modo que precisaram fugir para bem longe, o que também acabou contribuindo para a expansão do evangelho e para que os gentios fossem acrescentados em grande número ao corpo de Cristo.

“E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns homens cíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor”. (At 11:19-24)

Mais adiante, no ano 70, Deus permitiria a destruição do Templo de Jerusalém para não sobrar qualquer vestígio da adoração judaica, que nada tinha a ver com o algo novo que Deus trazia, a Igreja. Os judeus hoje praticam um judaísmo vazio, pois não pode existir judaísmo sem o lugar de adoração instituído por Deus na terra, que era o Templo, e sem os sacrifícios de animais que só podiam ser feitos ali

Continuando na tentativa do site que tenta explicar que podemos usar elementos do Antigo Testamento, o autor do texto provar sua tese citando Efésios 5:19: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração“.

O site explica corretamente que o significado original grego de “salmodiando” é “dedilhando”, como se faz com um instrumento de cordas. Todavia tentar usar deste argumento para justificar o uso de instrumentos musicais na adoração cristã é perder o sentido da passagem e não enxergar o “instrumento” que está sendo mencionado ali.

Você conhece algum professor de música que ensine a “tocar coração” como alguém ensina a tocar violão ou guitarra? Pois é exatamente disto que a passagem está falando. Numa tradução alternativa teríamos “…cantando e tocando ao Senhor no vosso coração, ou “…cantando e dedilhando a melodia ao Senhor no vosso coração, ou fazendo uma paráfrase,“…cantando ao Senhor e tocando um instrumento musical chamado coração para fazer o acompanhamento.

Percebe que a força do versículo está no instrumento que usamos para fazer o acompanhamento? Sim, é o coração o instrumento musical usado na adoração cristã. É por esta razão que hoje Deus busca adoradores que o“adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:23). A passagem está falando do espírito humano, não do Espírito Santo, pois é assim, “em espírito”, que o cristão tem o privilégio de adorar. Uma pessoa sentada em silêncio pode perfeitamente adorar em espírito e salmodiar no coração (“dedilhar a melodia no coração”). No judaísmo isto não era possível, pois a adoração era toda exterior e dependia de um coral treinado, uma orquestra tangível e um templo de pedras.

Vamos imaginar um vendedor de instrumentos musicais que me abordasse, interessado em vender instrumentos para uma orquestra inteira, perguntando:

Vendedor — Onde você congrega vocês usam instrumentos musicais nas reuniões de adoração?

Mario — Sim, usamos um instrumento.

Vendedor — Qual? Órgão, piano, guitarra, bateria, contrabaixo, cornetas, trombones, violinos, violoncelos, tubas… Temos tudo isso em nosso catálogo. Também fornecemos amplificadores e luzes diversas. Temos até máquina de gelo seco para fazer neblina, se os shows em sua igreja forem mais no estilo heavy metal. Temos tudo o que vocês precisam para atrair mais membros.

Mario — Usamos um instrumento de cordas, pois em Efésios diz para ‘salmodiarmos’, que no grego tem o sentido de dedilhar suas cordas.

Vendedor — Seria violão, guitarra, contrabaixo…?

Mario — Não, nenhum desses. Nós usamos corações. Vocês vendem corações?

Mais sobre o assunto:

http://www.respondi.com.br/2009/08/como-saber-o-que-se-aplica-igreja.html

http://www.respondi.com.br/2005/05/devemos-usar-instrumentos-musicais-na.html

http://www.respondi.com.br/2012/03/qual-o-problema-de-cristaos-louvarem.html

http://www.respondi.com.br/2010/04/o-cristao-pode-louvar-com-instrumentos.html

Mario Persona

Fonte: http://bit.ly/17nRnpH

Paz!

Germano Luiz Ourique


Comentários:


  1. luiz guilherme disse:

    Não existe nenhum digo nenhum elemento plalsível para tamanha besteira continuamente falando. todos os versiculos sitados nao demostram nenhum tipo de que devemos deixar de louvar a Deus com instrumento, os versiculos saem de contesto, eu tenho apenas umas coisa para falar Germano acho que voce deve considerar os judeus inferiores para querer tanto assim oque eles fazem . se judeu come com garfo voce prega que tem que comer com colher, cada coisa sem nexo, sem fundamento biblico e que literalmente nao significa nada , tudo que Deus pediu para fazermos ou para deixar de fazer tinha um sentido exemplo . a pascoa foi substituida pela seia do senhor , por ser uma Nova Aliança . agora esta insistencia deve ser que voce se considera superior aos judeos , ou tem alguma birra por que nao é possivel continuar com estes dogmas insignificativos,

  2. luiz guilherme disse:

    alem de nao trazer nenhuma edificação. Oque esta na biblia voce inventa desculpas para nao cumprir . Que naquela epoca falava por causa disso ou por causa daquilo que tinha costume disse que tinha costume daquilo. mais agora quer impor uma coisa que nao tem fundamento biblico . Será que a biblia esta do avesso?

  3. Larissa Gama disse:

    Germano, eu posso ser dona de escravos, segundo Paulo?

  4. germano disse:

    Larissa Gama,
    .
    Leia Romanos 13.
    Obs: Foi Paulo quem escreveu.

  5. Larissa Gama disse:

    Germano, qual a sua interpretação a respeito da possibilidade de, na Igreja Primitiva, Paulo ter deixado como facultativa a libertação de escravos de seus senhores quando ambos se convertiam?
    Romanos 13 trata-se de hierarquia, obediência a uma autoridade constituída por Deus como ministra da justiça. Mas, a minha pergunta anterior não foi sobre Romanos 13, mas sobre Colossenses 3:22-25.
    Lembrando que o contexto e a tradução não é “servo”, mas escravo (uma pessoa como propriedade – coisa – de outra, perante as leis daquela época).
    Qual a sua interpretação?

  6. Larissa Gama disse:

    Germano,

    O site Leia a Bíblia tem abençoado muitas vidas, inclusive a minha. Vejo em todos os escritores daqui uma fé sincera, que busca a verdade da Palavra. E percebo também honestidade em cada texto que leio no que se refere à exposição do que o site defende como verdade bíblica. Uns concordam, outros discordam, mas isso faz parte de todo diálogo.

    Por isso, vim por meio deste comentário, me explicar a respeito da pergunta anterior que fiz sobre Paulo admitir que, entre cristãos, a relação Senhor e Escravo existisse.

    Essa é uma das perguntas que mais são feitas atualmente tanto por pessoas que querem compreender a lógica paulina sobre questões temporais, quanto por pessoas que querem contestar a visão do apóstolo dos gentios quanto ao assunto.

    Gostaria aqui de explicar qual a minha intenção ao perguntar, em um post sobre Adoração, sobre “se eu posso ser dona de escravos, segundo Paulo”:

    As Epístolas Paulinas são cartas escritas à Igreja Primitiva, inspiradas por Deus, com doutrinas dadas a um grande instrumento do Senhor tanto para judeus quanto para gentios. Nisso não há contestação entre os que crêem na Inspiração das Escrituras (tanto do Novo quanto do Antigo Testamento).

    E essas epístolas tratam de questões temporais (sobre as relações sociais, civis e políticas da época), como por exemplo a questão da escravidão, que sempre existiu na cultura de todos os povos.

    O que chama atenção nos versículos que Paulo trata do sobre esse assunto é o fato de que os mesmos deixam claro os princípios que regem essa relação: quando um senhor de escravo, juntamente com o escravo, são convertidos pelo Espírito Santo, eles a relação deles, ainda que legalmente (segundo a época) fosse de um senhor que tem a posse de um escravo (tido como “coisa” e não como um ser humano), seria regida por princípios cristãos de amor ao próximo, com obediência à hierarquia e ao mesmo tempo com temor, tanto do escravo quanto do senhor de escravo, quando ambos se convertiam, por conta de que o escravo deveria respeitar seu senhor como a Cristo e o senhor de escravos deveria tratar seus serviçais como era tratado por Cristo (com amor), pois ele também era escravo de Cristo.

    Vê-se que, ainda que legalmente esse escravo não fosse mais que uma “coisa”, Paulo não precisou mexer no conceito “legal” da época (leis temporais) para mostrar que era possível um tratamento humano digno do cristianismo por parte dessa relação política e civil temporal.
    Entende-se com isso que, independentemente de uma organização temporal, ser cristão é, antes, obedecer os princípios ensinados por Cristo.
    Logo, embora o escravo continuasse escravo mesmo virando cristão, e mesmo tendo a possibilidade facultativa de deixar de ser escravo, pois Paulo não obrigava os senhores de escravos a libertá-los, mesmo com tudo isso, quando um senhor e um escravo obedeciam os princípios cristãos, na prática, eles aboliam a opressão e, por causa da obediência, eles mostravam uma humanidade de tratamento com o próximo que nem nos dias libertinos de hoje se vê, por exemplo. Tudo por causa de uma obediência a princípios cristãos, portanto.
    Onde quero chegar?
    Quero dizer, analogicamente falando, que existem situações que as epístolas não falam expressamente, mas por conta dos princípios (mandamentos de Cristo a quem se auto-intitula cristão) pode-se chegar a um entendimento que em nada fere a lei não-temporal de Cristo, que são os dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo.
    Isso prova que as leis temporais, civis e políticas da época, em nada impediam que o amor cristão fosse exercido, desde que os cristãos os obedecessem.
    Tais princípios não valiam apenas para o escravo que tivesse um senhor cristão. As epístolas também falam sobre escravos de não-cristãos, que deveriam dar testemunho de obediência e serviço de qualidade aos mesmos, como forma até de atraí-los para a fé cristã.
    E o que isso tem a ver com adoração? O que a minha pergunta tem a ver com “poder ou não tocar instrumento” no louvor?
    Bem, vemos em tudo o que Paulo fala, princípios gerais (mandamentos) explícitos e implícitos. Afinal, as cartas paulinas não são extensivas e esgotativas para tratar de todos os assuntos peculiares, como (usando a analogia, mais uma vez), o caso dos pecados sexuais (imoralidade sexual), que envolvem diversas práticas que, embora não explicitamente ditas nas epístolas, são ofensa contra Deus. A bíblia não fala expressamente contra a pedofilia, porém esta prática profana está no rol das “imoralidades sexuais”.
    Porque princípios gerais servem para quaisquer situações, são multiformes.
    O mesmo vale para o louvor e a adoração.
    Quando Paulo fala para os cristãos cantarem salmos entre si, devemos lembrar que o canto é um princípio geral que envolve as mais variadas formas: voz, percussão, instrumentos de sopros e de cordas, etc. Impossível pensar em canto sem acompanhamento de outros tipos de sons, além da voz.
    Existem princípios gerais para o que é explicitamente dito por Paulo, como é o caso da questão da escravidão, como expliquei acima (princípios gerais que se aplicam a esse caso), e também o caso de todas as formas que se aplicam ao termo da imoralidade sexual e, também, ao caso do louvor, que possui princípios gerais.
    Um exemplo de princípios gerais que se enquadra nos exemplos anteriores que citei, é a questão dos dias “santos” e das “comidas consagradas” e da questão de comer, ou não, carne. Os casos específicos citados:
    1. Escravidão
    2. Imoralidade Sexual
    3. Comida e bebida
    4. Dias sagrados

    Possuem ensinamento explícito (específico), implícito, e também geral (que se aplica a todos os casos não mencionados por Paulo).
    Um dos princípios gerais (dentre vários) que devem nortear a forma (modus operandis) de como um cristão deve adorar ao Senhor, é este:
    “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” 1Cor 10:31
    Existe um termo expresso na passagem citada: “ou façais outra qualquer coisa”.

    Ora, realmente não existe no Novo Testamento menção a nome algum de instrumento. E, ainda que mencionasse, alguns apareceriam para dizer que só se pode tocar o tal instrumento citado, por ter sido o único. É a chamada interpretação literal, exclusivista, que tem levado muitos a extremos nada saudáveis. Qualquer interpretação que vá para este lado exclusivista, por mais honesta que seja, não traz o entendimento correto para a situação.

    Veja o caso do versículo citado, ele é bem claro: “qualquer outra coisa” faça para a glória de Deus!
    Assim como não existe menção de nome de instrumento, também não existe expressamente a proibição ao uso de instrumentos na adoração. E, se o instrumento é usado para a Glória de Deus, isso me é permitido.

    Quando Paulo fala sobre os cristãos cantarem salmos entre si, devemos lembrar que “salmodiar” envolve tocar instrumento e isso não é restritivo do antigo testamento, pois música sempre veio acompanhada de instrumentos musicais, mesmo quando estes ainda não existiam, pois o próprio corpo humano é um instrumento musical, por exemplo.

    Vê-se, segundo a lógica que segui até aqui, que estou a falar contra toda interpretação literal, exclusivista. Por isso fiz a pergunta como forma de despertar a reflexão sobre esse tipo de interpretação:

    “Segundo Paulo eu poderia ser dona de escravos?”

    O perigo desta interpretação é usar o fato de que Paulo não proíbe a escravidão de forma expressa como respaldo para eu ter como propriedade (bem civil) a vida de outra pessoa, nos dias de hoje.

    A resposta de uma interpretação literal seria: sim, eu posso ser dona de escravos, porque Paulo expressamente não proibiu.

    Porém, uma interpretação sensata me mostra que não é assim. A lei temporal sobre propriedade e bens mudou e Paulo comemoraria, com certeza, esse fato. Paulo permitiu a escravidão entre cristãos pois os princípios (se obedecidos) cristãos bastavam (e sempre vão bastar) para que qualquer tipo de situação seja para glória de Deus, pois não seria uma relação regida por opressão ou violência, mas seria baseada no amor ao próximo. Certamente quando os senhores de escravos se convertiam eles libertavam seus escravos! Mas, caso isso não ocorresse, Paulo dizia aos escravos: não se preocupe com a sua condição humana, mas a sua condição em Deus.

    A mesma lógica vale para todas as outras questões que citei (e as que não citei), que não podem ser interpretadas de forma literal, mas de forma sensata, que atente aos princípios gerais ensinados por Cristo e explicados por Paulo.

    O perigo da interpretação exclusivista, literal é este: que por essa interpretação eu poderia comprar agora um escravo sem ferir as Epístolas Paulinas.

    Mas uma interpretação segundo a prudência, a ponderação, me mostra que não devo levar ao pé da letra o que vejo na bíblia, nem sobre o que é mostrado de forma expressa nela, mas com coerência, sabendo distinguir o que Paulo fala sobre coisas temporais, de um lado, e sobre coisas eternas, de outro.

    Quero ressaltar aqui que neste caso de princípios gerais não estou a falar sobre outras questões como submissão da mulher, dos filhos, etc, pois não se tratam de leis temporais, mas de hierarquia que Deus estabeleceu no Éden. Este caso não é lei temporal. Este assunto de submissão às autoridades não está sendo posto em questão aqui nem está sendo relativizado, ressalto.

    O que está sendo posto em questão, para ser bem clara, é a interpretação exclusivista que me proíbe de fazer o que não está expresso por Paulo, ainda que, embora não expresso, igualmente não seja proibido.

    É ai onde tudo o que eu disse tem a ver com adoração: o que eu fizer para Deus, que não fira os mandamentos cristãos nem esteja proibido, e que seja em espírito e em verdade, me é permitido, que é o caso dos instrumentos musicais, que são usados para a glória de Deus e que não são proibidos no Novo Testamento em parte alguma.

    O fato de não serem citados, inclusive, é porque não existe um tipo de instrumento específico, falando diretamente de música (sons e formas) que possa ser ou não ser usado, desde que seja para a glória de Deus. Ele é que julgará naquele dia a intenção do coração de cada um.

    Por isso qualquer pessoa que nasceu de novo e que adora a Deus de formas diversas que não ferem nenhum princípio bíblico aplicado a adoração pode sim tocar instrumento para Deus (pois nenhum versículo do Novo Testamento proíbe o uso de instrumentos).
    Devemos ter cuidado com interpretações literais que em nada edificam.

    Bem, é isso. Perdoe-me a demora e o texto longo, mas precisei explicar a minha pergunta ousada de outrora. Expliquei tudo o que pude para evitar más interpretações do que escrevi.

    Abraços

  7. germano disse:

    Larissa Gama,
    .
    Quando você diz que “O perigo da interpretação exclusivista, literal é este: que por essa interpretação eu poderia comprar agora um escravo sem ferir as Epístolas Paulinas”, você comete um engano. Em Romanos 13, do mesmo Paulo, vemos que devemos obedecer às autoridades constituídas e às leis. E a Lei Áurea foi assinada em 1988.
    .
    Quanto à adoração, ou é em espírito ou é fisicamente. Se é em espírito, não há como usar qualquer meio físico. Instrumentos são meios físicos. Não existe possibilidade de usarmos instrumentos musicais (ou qualquer outro tipo de instrumento) na adoração sem irmos contra a Palavra de Deus. Simples assim.


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