Ao sair de Betânia, onde dormiu decepcionado com o que viu no Templo de Jerusalém, Jesus tem fome. Ele encontra uma figueira à beira do caminho, mas não há frutos nela, apenas folhas. “Nunca mais dê frutos!”, ordena ele, e imediatamente a figueira se seca. Este é o único milagre de Jesus feito às avessas, no qual ele amaldiçoa e mata, ao invés de abençoar e dar vida.

A figueira é um símbolo da nação de Israel. Se juntarmos isso com o que acabamos de ver no Templo fica fácil perceber que Deus abomina o povo que professa o seu nome da boca para fora, como um pretexto para alcançar seus próprios objetivos. A recepção calorosa que ele recebeu em Jerusalém não passava de folhas de uma profissão de fé exterior, porém sem frutos como a figueira.

Diante do espanto dos discípulos, Jesus diz a eles que se tiverem fé e não duvidarem poderão ordenar a um monte que se lance no mar e isso acontecerá, e tudo o que pedirem, crendo, receberão. Antes que você tente mover a montanha para que seu apartamento fique com vista para o mar, deixe-me explicar uma coisa.

Nunca leia a Bíblia como um papagaio de realejo, aquele que tira a sorte com o bico. A Bíblia não é um jogo de búzios feito de versículos soltos, que você chacoalha e lança para ver o que dá. Não é um livro de adivinhações. Para compreendê-la é preciso levar em conta o texto e o contexto em sua totalidade.

Outras passagens mostram que a oração, para ser atendida, deve estar em conformidade com a vontade do Pai. Para saber a vontade do Pai é preciso andar em comunhão com ele e, quando isso acontece, você sabe o que convém ou não pedir, por estar em sintonia com os pensamentos de Deus. Aí sim, tudo o que você pedir ele fará, pois será exatamente o que ele gostaria mesmo de fazer de qualquer modo.

Há vários casos de orações não atendidas, o que demonstra que Deus não está ao nosso dispor. Paulo orou três vezes para ser liberto de algo que o afligia e Deus disse não. O mesmo apóstolo sugeriu a Timóteo que tomasse um remédio caseiro, água misturada com vinho, para sua enfermidade no estômago, ao invés de orar por uma cura mágica. Em uma de suas viagens Paulo é obrigado a deixar seu companheiro Trófimo em Mileto por estar doente.

O Deus da Bíblia não é nem um pouco parecido com aquele deus que é vendido pelos pregadores da prosperidade, que ordenam que Deus lhes obedeça, como se o Criador do Universo estivesse à disposição do homem. Esses pregadores que tentam manipular Deus ao seu bel prazer não fazem ideia de quem é esse que estão tentando manipular.

Por Mario Persona

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Comentários:


  1. Caroline disse:

    Gostei muito de saber, que podemos estar utilizando esses textos nas escolas e outros lugares. Muito obrigada!


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