A Bíblia tem apenas uma interpretação, mas muitas aplicações. Apesar de os evangelhos falarem especificamente de Israel e do mundo, seus princípios morais podem ser aplicados ao corpo de Cristo, que é a Igreja. É o caso de Lucas 21:34-36: “Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente. Porque ele virá sobre todos os que vivem na face de toda a terra. Estejam sempre atentos e orem para que vocês possam escapar de tudo o que está para acontecer, e estar de pé diante do Filho do homem”.

Aqui os discípulos representam os judeus que passarão  pela “grande tribulação” (Mt 24:21) que terminará uns sete anos após a Igreja ter sido arrebatada da terra para se encontrar com o Senhor nos ares. Ao cristão, porém, a promessa é: “Eu o guardarei da hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra. Venho em breve!” (Ap 3:10). A certeza de que não passariam pela grande tribulação foi dada também aos cristãos de Tessalônica, que “se voltaram para Deus, deixando os ídolos a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livra da ira que há de vir” (1 Ts 1:10).

Não se trata aqui da ira da condenação eterna, pois desta Jesus já livrou cada um que creu nele. Trata-se da ira que cairá sobre os incrédulos que estiverem na terra quando Cristo vier para reinar. A interpretação direta do texto é para os que estarão na terra na “grande tribulação” (Mt 24:21), que atingirá seu ponto máximo com as “sete últimas pragas, pois com elas se completa a ira de Deus… as sete taças de ouro cheias da ira de Deus” (Ap 15:1, 7) que “os sete anjos vão derramar sobre a terra(Ap 16:1), e não sobre os perdidos no juízo final. Mas a exortação à vigilância serve também para os cristãos hoje, que antes disso serão “arrebatados… nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares” (1 Ts 4:17).

Após o arrebatamento essa expectativa afligirá a “todos os que vivem na face de toda a terra” (Lc 21:35). Dentre eles estarão gentios, judeus e a falsa igreja ou “grande prostituta” (Ap 17:1). Mas esta não é a expectativa dos verdadeiros crentes hoje, que “não estão nas trevas, para que esse dia os surpreenda como ladrão” (1 Ts 5:2). Estes não esperam por um ladrão que venha privá-los de seus “tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mt 6:19). Eles esperam pelo Amado de suas almas.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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