Jesus é levado para ser crucificado, não sem antes passar pelo desprezo dos soldados. Eles tiram sua roupa e colocam sobre suas costas um manto vermelho. Uma coroa de espinhos é colocada sobre sua cabeça e uma vara em sua mão como se fosse um cetro. Então os soldados se ajoelham diante dele e dizem: “Salve, rei dos judeus!”(Mt 27:29). Depois cospem nele e o espancam.

Jesus é levado ao Gólgota ou “Lugar da Caveira”(Mt 27:33), para ser crucificado. No caminho obrigam Simão, um africano de Cirene, atual Líbia, a carregar sua cruz. Os soldados dão a Jesus vinho misturado com fel, uma espécie de anestésico, mas ele se recusa a beber. Mil anos antes o Salmo 22 previu que os soldados fariam um sorteio das vestes de Jesus, e é o que acontece aqui. Sobre a cruz, uma placa trilíngue ironiza: “Este é Jesus, Rei dos Judeus”(Mt 27:37). Hebraico, grego e latim representavam os idiomas da religião, da ciência e do poder.

A multidão que se aglomera em torno da cruz insulta aquele que alimentou seus famintos e curou seus enfermos. Será que entre aquelas bocas que xingavam Jesus estava algum mudo que ele fez falar? Daqueles punhos levantados contra ele, será que tinha algum paralítico de nascença? E dentre os olhares que fuzilavam o Filho de Deus na cruz, quiçá alguns tinham acabado de inaugurar a dádiva da visão!

Uma coisa é certa: quem estava sendo desprezado ali, em um frágil corpo humano, era o Criador. O apóstolo João escreveria depois em seu evangelho: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito”(Jo 1:3). Isso inclui a multidão, o espinheiro de onde saiu sua coroa, a árvore de onde veio a cruz e o minério transformado nos pregos que prendem suas mãos e seus pés.

Por volta do século 12 um monge francês, Bernardo de Claraval, descreveu a crucificação em uma obra poética que fala dos pés, joelhos, mãos, lado, peito, coração e face de Jesus. Uma adaptação do último poema diz assim:

Oh! Quão ensanguentada, ferida está em dor,

Cruel coroa fere a fronte sem vigor.

Oh! Quantos escarnecem de Tua condição

E zombam dessas dores, ferindo o coração!

Sem luz estão Teus olhos, não brilham mais assim,

Por que, Senhor, se apagam? Por nós sabemos, sim!

Tão grandes sofrimentos, nós, em pecados vis,

Causamos rudemente, que o Sol brilhar não quis.

Jesus, ó nosso Amado! Sofreste ali por nós,

Sem cor desfaleceste, opresso em dor atroz.

Palavras não expressam a nossa gratidão

Por Tua sempiterna, fecunda redenção.

Curiosamente os ladrões crucificados ao lado de Jesus se unem ao coro da multidão, e também xingam Jesus.

Por Mario Persona

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