Os discípulos ainda estão admirados com a libertação do menino possesso por um demônio, quando Jesus lhes diz: “Ouçam atentamente o que vou lhes dizer: o Filho do homem será traído e entregue nas mãos dos homens” (Lc 9:44). Eles não entendem este aviso de que Jesus seria preso e condenado à morte por seu próprio povo.

A razão é explicada no versículo seguinte: “Eles não entendiam o que isso significava; era-lhes encoberto, para que não o entendessem” (Lc 9:45). Deus quis que o significado destas palavras ficasse temporariamente oculto a eles. As palavras “traído e entregue” deixaram claro tratar-se de algo muito grave, pois a passagem continua dizendo que “tinham receio de perguntar-lhe a respeito dessa palavra” (Lc 9:45). Porém o porquê, quando, como ou por quem eles ainda não podiam compreender.

A julgar pelo tempo que andavam juntos e pelo carinho e atenção que Jesus lhes dedicava era de se esperar que os discípulos já tivessem um certo grau de intimidade com o Senhor. Mas não. Tudo indica que, apesar do acesso franqueado por aquele que disse “Venham a mim” (Mt 11:28), o problema da falta de uma comunhão maior com o Senhor vinha dos próprios discípulos.

Assim é hoje. Jesus é extremamente solícito em nos deixar à vontade para nos aproximarmos dele, mas nós nem sempre queremos tê-lo por perto. Por quê? Porque a carne nos controla em muitas situações e nos afasta dele, apesar desse desejo permanente que ele tem de estar perto de nós. Não correspondemos ao seu amor porque temos nossa própria agenda, nossos próprios interesses. Não queremos uma proximidade com Cristo que possa atrapalhar nossos planos.

Como eu sei? Basta ler o versículo seguinte para descobrir com que os discípulos estavam preocupados. Certamente não era com a traição e prisão de Jesus, mas com eles próprios e com o lugar que cada um ocuparia no reino de Cristo. “Começou uma discussão entre os discípulos, acerca de qual deles seria o maior” (Lc 9:44).

Aqui não diz que Jesus tenha escutado a conversa deles, mesmo assim ele ouve seus pensamentos. Por isso responde a eles e a resposta é dada na forma de uma criança: “Quem recebe esta criança em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, está recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre vocês for o menor, este será o maior” (Lc 9:48).

Resolvida a questão? Não. O sentimento carnal voltará a se manifestar no próximo post, e bem ao estilo do caráter encontrado no homem religioso.

Por Mario Persona

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Germano Luiz Ourique


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