Os discípulos se sentem impotentes diante dos desafios de não ser pedra de tropeço, saber repreender com graça o pecador e perdoá-lo sete vezes ao dia. Afinal, de si mesmo ninguém consegue agradar a Deus, como diz a carta aos Romanos: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3:10).

Quando nos damos conta de nossa total incapacidade fazemos como os discípulos e pedimos ao Senhor: “Aumenta a nossa fé” (Lc 17:5). Somente por fé podemos nos aproximar “do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4:16 ). E graça se obtém por fé, seja ela grande ou pequena. Por isso Jesus explica que a fé, ainda que minúscula, é capaz de grandes proezas:

“Se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderão dizer a esta amoreira: ‘Arranque-se e plante-se no mar’, e ela lhes obedecerá” (Lc 17:6). Mas Jesus fala de uma fé colocada fora de si mesmo, a fé em Deus. As pessoas lhe dirão: “Confie em si mesmo!”, porém Deus lhe dirá: “Maldito é o homem que confia no homem” (Jr 17:5). Continue lendo »


Não, o capítulo 24 de Mateus é bem específico de Israel, em especial do remanescente de judeus fieis que irá se converter após a Igreja deixar a terra. Muitos têm dificuldade para entender a profecia por não discernirem o lugar distinto que Israel e Igreja ocupam nas Escrituras e nos propósitos de Deus. O capítulo 24 de Mateus e outras passagens que falam da tribulação costuma ser conectado à Igreja na terra, mas isso é um erro. De um modo geral, este capítulo trata do futuro, do tempo da tribulação e vinda de Cristo para Israel. A Igreja, que é formada por todos os salvos, será arrebatada antes do tempo ou período da tribulação, como vemos em Apocalipse 3:10: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” Repare que “hora” na passagem é um período de tempo bem definido.

O capítulo 24 do Evangelho de Mateus trata do remanescente judeu que testemunhará e pregará o Evangelho do Reino durante o período dos cerca de sete anos que se seguem ao arrebatamento da Igreja. Ao contrário do que muitos pensam, o verbo “levar” que aparece nos versículos 40 e 41 deste capítulo nada tem a ver com o arrebatamento, mas está ali fazendo um paralelo com os que foram “levados” pela morte no dilúvio. É preciso ler o contexto a partir do versículo 37 para entender:

“E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.” (Mt 24:37-41) Continue lendo »


A passagem de Efésios traz uma lista de preceitos do tipo não furte, não minta, livre-se da amargura, da indignação, da ira, da gritaria, da calúnia, da maldade, etc. Mas é importante perceber que antes dessa lista vem o segredo para se viver de acordo com a natureza de Deus, não seguindo uma lista de preceitos, mas trocando de roupa: “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (Ef 4:22-24).

Regras morais ou códigos de conduta você encontra em todas as religiões, mas existe uma diferença no cristianismo. Neste, não é a mudança de comportamento que faz de você um novo homem, mas é o “ser um novo homem” que o leva a mudar de comportamento. O cristão deve viver e agir de acordo com a nova identidade que recebeu por graça, e não tentar usar uma identidade forjada por suas próprias mãos. É a diferença entre receber um “RG” emitido pelo governo, em papel timbrado e impresso na Casa da Moeda, e criar seu próprio “RG” numa impressora jato de tinta.

As religiões humanas dizem “Não faça o mal”, porém Deus diz “Você não é dos que praticam o mal”. As religiões dizem para você fazer o bem para se tornar uma pessoa melhor; Deus diz que você faz o bem por já ser uma pessoa melhor. Continue lendo »


Espero conseguir esclarecer sua dúvida quanto ao fato de eu e outros cristãos não estarmos ligados a qualquer grupo denominacional, ao modo como nos reunimos, se possuímos casas de reunião, se não possuímos organização hierárquica, etc.

Não creio que seria proveitoso descrever como são as reuniões sem dar a você uma visão clara da base ou fundamento sobre o qual nos reunimos. Quando nos referimos a estar reunidos fora do sistema religioso, não estamos negando a salvação dos milhões de irmãos que continuam dentro do sistema. Pelo contrário, estamos testemunhando que somos um só corpo com todos esses irmãos. Não poderíamos testemunhar que somos um com todos se adotássemos o nome de um dos grupos de cristãos existentes no sistema. Também não se trata de tentar “restaurar” a Igreja, mesmo porque não há nada para ser restaurado na Igreja. Efésios nos mostra a Igreja aos olhos de Deus, e ela é perfeita, sem mácula e sem ruga, assim como cada um de nós individualmente. Neste aspecto não há, portanto, o que ser “restaurado”.

Porém, no que diz respeito ao testemunho da Igreja que foi deixado nas mãos dos homens, como sempre tornou‑se em ruína. E para isto não há restauração possível pois é claro que em tempos de fim (leia 2 Tm, a última carta do apóstolo Paulo), quando há abandono generalizado deve‑se chorar e procurar guardar, dentro de muros edificados com a espada na mão e no único lugar de adoração estabelecido por Deus, o testemunho de que há um só corpo; que no único pão que partimos podemos ver toda a Igreja, o corpo de Cristo. Tudo isso nos foi ensinado em figuras pelos livros de Esdras e Neemias, um manual prático de como agir em tempo de ruína. Continue lendo »