Não, o “ide por todo o mundo” não foi uma ordem dada à Igreja por uma razão bem simples: a Igreja não existia antes de Atos 2. Portanto a ordem foi dada diretamente aos apóstolos em um tempo em que estavam na condição de discípulos judeus do Messias de Israel. Era uma ordem dada em um diferente contexto.
Existe muita confusão quando você aceita o que as denominações ensinam sem conferir no contexto do que cada coisa é ensinada na Palavra de Deus. A ênfase que muitas denominações dão ao evangelismo está fora de lugar se considerarmos que a Igreja não é uma organização evangelística. Não é papel da Igreja evangelizar, como se fosse uma organização missionária, e nem salvar o mundo da fome e da miséria, como se fosse uma ONG beneficente. A ocupação da Igreja é com Cristo (não com incrédulos) em quatro atividades básicas, todas elas culminando na adoração:

Atos 2:42 – “E perseveravam na:

– DOUTRINA DOS APÓSTOLOS,

e na COMUNHÃO,

e no PARTIR DO PÃO,

e nas ORAÇÕES.”

E o evangelismo, não é importante? Sim, importantíssimo, mas a Igreja é um corpo de adoradores, não de evangelistas. Os adoradores Deus procura, os evangelistas Ele dá. A adoração é a ocupação com Deus, a evangelização é a ocupação com os incrédulos, no sentido de serem salvos para serem transformados em adoradores. Isso acontece “no mundo”, e não na Igreja, que é uma corporação formada por salvos. Continue lendo »


Jesus agora fala de sua rejeição: “Vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Mas tenho que passar por um batismo, e como estou angustiado até que ele se realize! Vocês pensam que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo. Pelo contrário, vim trazer divisão! De agora em diante haverá cinco numa família divididos uns contra os outros: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos pai contra filho e filho contra pai, mãe contra filha e filha contra mãe, sogra contra nora e nora contra sogra” (Lc 12:49-53).

Se você achou que ao se converter a Cristo a vida seria tranquila, já deve ter percebido que não é bem assim. Quando os anjos anunciaram a chegada de Jesus, eles proclamaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2:14). Teria havido paz se Jesus não fosse rejeitado, mas ele foi. Sua encarnação trouxe fogo à terra, e tão logo nasceu, os homens já queriam matá-lo. Sua vida santa era demais para eles suportarem. “A luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas” (Jo 3:19-20).

Enquanto Jesus andou aqui, o juízo de Deus se manifestava pelo fogo que queimava as consciências. Ainda não era a hora de o fogo literal do juízo de Deus ser derramado sobre a humanidade culpada. “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele… Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens” (Jo 3:17; 2 Co 5:19). Continue lendo »


O versículo 47 diz: “Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12:47).

Se para o crente há uma diferença nas recompensas que receberá no céu, para o incrédulo haverá uma variedade de condenações no lago de fogo. Se você foi batizado em nome de Jesus e o chama de Senhor, mesmo sem ser convertido de verdade, você pertence à esfera da responsabilidade cristã e está sujeito a uma condenação mais severa que a do aborígene que nunca ouviu falar de Jesus.

É claro que no final todos os incrédulos — cristãos nominais ou não — irão para o mesmo lago de fogo, mas o grau de punição dependerá da responsabilidade de cada um. Mesmo o pagão, que recebeu naturalmente de Deus um testemunho por meio da Criação e de sua própria consciência, será avaliado desta forma “no dia em que Deus julgar os segredos dos homens, mediante Jesus Cristo” (Rm 21:16). Continue lendo »


“Saiamos pois a Ele fora do arraial levando o Seu vitupério” – Hb 13:13.

Poderíamos fazer várias perguntas em relação a este versículo da Bíblia. A quem foi dirigido este apelo? Por que foi dirigido? Pode ser aplicado a nós? E, se for para nós, qual é o seu motivo e significado? Busquemos a resposta a estas perguntas no temor do Senhor e para proveito de nossas almas.

Este versículo, assim como toda a epístola aos Hebreus, foi escrito para os judeus convertidos ao cristianismo. Existem muitas razões para se crer que seu autor foi o apóstolo Paulo. Embora Paulo fosse o apóstolo dos gentios, nesta ocasião o Espírito de Deus o utilizou para redigir uma admoestação direta e especial aos judeus que haviam se arrependido, reconhecendo que sua nação havia rechaçado o seu Messias. Embora tendo aceitado ao Senhor Jesus como seu Salvador, os judeus recém-convertidos continuavam, naturalmente, ligados ao templo, aos ritos e costumes do judaísmo. Haviam sido criados nesse sistema, uma boa parte do qual fora instituído pelo próprio Deus. Mas agora, a partir da rejeição do Senhor Jesus — da rejeição do testemunho do Espírito Santo acerca do Cristo glorificado — Deus passou a desaprovar completamente esse sistema.

O cristianismo nunca foi um mero complemento do judaísmo, ou a sua continuidade, mas tratava-se de algo inteiramente novo. Deus estava chamando para fora, de entre os judeus e gentios, um povo para o céu, com esperanças celestiais — nunca terrenais (Atos 15:14). Os cristãos viriam a ser um povo na terra à espera da vinda do Senhor do céu. Não deveriam ter uma religião de formas e cerimônias, tal como os judeus tinham, porém deveriam adorar a Deus em espírito. Continue lendo »